A circulação de ônibus em Salvador virou um dos principais focos de tensão no segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo (25). O prefeito Bruno Reis (União Brasil) atribuiu os atrasos registrados nas primeiras horas do dia à retirada de adesivos de propaganda eleitoral encontrados nos veículos nas garagens das empresas concessionárias. Ao mesmo tempo, a fiscalização identificou centenas de ônibus parados, e a Justiça Eleitoral determinou medidas para restabelecer a operação integral do transporte público.
O episódio também teve desdobramentos judiciais: o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. Até a publicação das informações, porém, não havia confirmação de que a ordem tivesse sido cumprida.
Bruno Reis diz que adesivos provocaram atrasos
Durante entrevista coletiva, Bruno Reis afirmou que os ônibus começaram a sair das garagens com adesivos de propaganda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. Segundo o prefeito, as empresas determinaram a retirada do material para cumprir as regras eleitorais, o que teria prejudicado a liberação dos veículos.
O gestor associou a adesivagem à atuação de pessoas ligadas ao Sindicato dos Rodoviários, mas reconheceu que não poderia apontar os responsáveis sem uma apuração. De acordo com ele, o episódio ocorreu durante a madrugada e imagens de câmeras de segurança poderiam ajudar a esclarecer quem colocou os adesivos.
Bruno Reis também afirmou que a prefeitura determinou a liberação dos ônibus mesmo com a adesivagem considerada irregular pela administração municipal, diante do risco de prejuízo ao deslocamento dos eleitores.
Segundo o prefeito, a operação foi normalizada por volta das 10h, e a frota foi ampliada durante o dia. Ele declarou ainda que a quantidade de veículos em circulação superou a de eleições anteriores, embora essa afirmação tenha sido apresentada pela própria gestão municipal.
Fiscalizações encontraram ônibus parados nas garagens
Os números levantados pelos órgãos de fiscalização deram outra dimensão ao problema. Conforme as informações divulgadas, ao menos 75 ônibus foram inicialmente apontados como impedidos de sair das garagens.

Além disso, uma fiscalização da Polícia Federal identificou redução de 42,1% da frota em uma garagem, com 53 veículos a menos nas ruas em comparação com a operação de um dia comum.
O Procon-BA, por sua vez, informou ter encontrado 944 ônibus parados nas garagens das empresas OT Trans e Integra Plataforma. Segundo o órgão, os veículos estavam aptos a operar, e a fiscalização avaliaria as medidas administrativas cabíveis.
A existência de veículos parados, por si só, não esclarece todas as circunstâncias da operação. No entanto, os levantamentos motivaram cobranças por explicações e providências para garantir o transporte gratuito aos eleitores.
TRE-BA determina retomada integral da frota
Diante dos problemas registrados, o presidente do TRE-BA, Mauricio Kertzman Szporer, determinou o restabelecimento imediato da frota integral do transporte público de Salvador.
A decisão estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento da ordem pelo município, pela Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) e pelas empresas concessionárias.
O tribunal também determinou a prisão do secretário Pablo Souza. A ordem judicial, contudo, não significa que a prisão tenha sido efetivamente realizada.

A prefeitura informou que o secretário estava em Paris, na França, em missão oficial relacionada ao transporte público e às negociações para aquisição de ônibus elétricos. Segundo a administração municipal, ele retornaria a Salvador na segunda-feira (26) para se apresentar às autoridades e prestar esclarecimentos.
Defensorias receberam relatos de falta de ônibus
A Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA), em parceria com a Defensoria Pública da União (DPU), informou que acompanhava a situação e havia recebido relatos de eleitores sobre a falta de ônibus e a redução da oferta de veículos.
As instituições cobraram esclarecimentos da Secretaria Municipal de Mobilidade e providências para garantir o deslocamento da população até os locais de votação. Também houve relatos de dificuldades em municípios do interior, incluindo Feira de Santana e Santo Antônio de Jesus.
Caso levanta questionamentos sobre o acesso ao voto
A gratuidade do transporte público durante as eleições tem como objetivo facilitar o deslocamento dos eleitores e ampliar as condições de acesso às urnas. Por isso, uma redução na oferta de veículos durante o período de votação exige esclarecimentos sobre as causas, a extensão dos impactos e as responsabilidades envolvidas.
Bruno Reis afirmou que a prefeitura cumpriu as determinações da Justiça Eleitoral e criticou o que classificou como tentativa de politizar o episódio. Já os órgãos de fiscalização e a Justiça Eleitoral adotaram medidas diante dos registros de ônibus parados.
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O esclarecimento completo do caso depende da análise dos dados operacionais, das justificativas das empresas e da administração municipal, além do cumprimento das determinações judiciais. Também será necessário apurar se eleitores tiveram o exercício do direito ao voto prejudicado pela redução da oferta de transporte.




