A cúpula da torcida organizada Bamor entrou novamente no centro de uma investigação criminal que aponta para acusações graves. O Ministério Público da Bahia (MPBA) denunciou dez pessoas ligadas à presidência e à diretoria da torcida pelos crimes de organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça.
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) protocolou a denúncia na última sexta-feira (2), como resultado da Operação Inquisição. Atualmente, os denunciados permanecem presos preventivamente no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador.
MP aponta estrutura organizada dentro da torcida
Segundo a acusação, os investigados formavam uma estrutura estável, organizada e com divisão de funções. Além disso, o MPBA afirma que os envolvidos teriam utilizado a própria estrutura da torcida organizada para praticar os crimes.
De acordo com a denúncia, os episódios ocorreram em julho deste ano e envolveram duas vítimas.
O Ministério Público sustenta que os denunciados teriam submetido essas pessoas a sessões de violência física e psicológica. O objetivo, conforme a investigação, seria obter confissões relacionadas a supostos desvios internos envolvendo o sistema de gestão de associados da entidade.
Ainda segundo o MPBA, os envolvidos teriam coordenado as ações e utilizado a sede da torcida durante a prática dos crimes.
Acusação aponta punição privada
A denúncia descreve um cenário em que integrantes da diretoria teriam assumido o papel de investigar e punir, por conta própria, pessoas que consideravam responsáveis por supostas irregularidades.
Nesse contexto, o MPBA aponta a existência de uma espécie de “punição privada”, com emprego de violência e ameaças para obter informações e confissões.
A acusação agora segue para análise da Justiça, que deverá avaliar os elementos apresentados pelo Ministério Público e decidir sobre o prosseguimento da ação penal.
MP pede indenização de R$ 2 milhões
Além da condenação dos denunciados pelos crimes atribuídos individualmente a cada um, o Ministério Público pediu a manutenção das prisões preventivas.
O órgão também solicitou o pagamento de indenizações às vítimas por danos materiais e morais.
Além disso, o MPBA requereu a fixação de R$ 2 milhões em indenização por danos morais coletivos.
O valor representa, segundo a acusação, uma resposta aos danos que os fatos investigados teriam provocado para além das vítimas diretamente envolvidas.
Quem são os denunciados
A denúncia apresentada pelo MPBA cita:
- Matheus Pires Castro — presidente da Bamor;
- Luciano da Silva Venâncio — vice-presidente;
- Gabriel Pereira Silva — diretor-geral;
- Daniel Sena Duarte — diretor de sede;
- Ricardo Henrique Almeida da Silva — diretor de marketing;
- Diego Allan Conceição Sacramento — diretor de patrimônio;
- Ivã Cleiton de Jesus Santos — diretor de bateria;
- Luiz Wagner da Silva Santana — diretor de sede;
- Alan Rafael Regis Alves de Aquino — diretor financeiro;
- Fernando Santana Esquivel — policial militar apontado pelo MP como integrante da torcida organizada.
Investigação ainda terá desdobramentos
A denúncia marca uma nova etapa da Operação Inquisição. Agora, a Justiça deverá analisar as acusações e os elementos reunidos durante a investigação.
É importante destacar que os denunciados ainda não possuem condenação definitiva pelos crimes descritos na denúncia. A responsabilização criminal dependerá do andamento do processo e das decisões judiciais.
Enquanto isso, todos os dez permanecem presos preventivamente, e o Ministério Público busca manter as prisões durante o andamento da ação.
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O caso coloca novamente uma das principais torcidas organizadas da Bahia no centro de uma investigação de grande repercussão e levanta questionamentos sobre a atuação e a estrutura interna da entidade.



