Uma condenação de mais de 45 anos encerra uma etapa do caso que chocou Aurelino Leal, no sul da Bahia. O ex-vereador João Pereira Sena, conhecido como João da Gota, recebeu a pena de 45 anos, 4 meses e 12 dias de reclusão pelo feminicídio da companheira, Cleonice Pereira dos Santos, de 47 anos.
O Tribunal do Júri da Vara Criminal de Ubaitaba realizou o julgamento na terça-feira (3). Além da condenação pelo assassinato, os jurados reconheceram que o réu tentou dificultar as investigações. Por isso, ele também recebeu seis meses de detenção e multa por fraude processual.
Júri reconheceu as circunstâncias do feminicídio
Durante o julgamento, os jurados concluíram que João Sena provocou a morte de Cleonice por asfixia. Também reconheceram que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar, com recurso que dificultou a defesa da vítima.
O réu negou a autoria durante o interrogatório. Contudo, os jurados rejeitaram a tese de absolvição apresentada pela defesa.
A sentença determinou o cumprimento imediato da pena em regime fechado. Além disso, o juiz negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade. Após a leitura do veredito, ele retornou ao Conjunto Penal de Itabuna. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.
Relembre o caso: morte ocorreu na véspera de 2026
O crime aconteceu em 31 de dezembro de 2025, em um imóvel na Fazenda Gratidão, zona rural de Aurelino Leal. Naquela noite, Cleonice deu entrada no hospital do município em estado grave, mas não resistiu.
Segundo a investigação, João levou a companheira à unidade de saúde e alegou que ela havia sofrido um mal súbito. Entretanto, os investigadores identificaram sinais de estrangulamento e indícios de violência doméstica anterior.
A apuração também apontou que o ex-vereador ocultou o celular da vítima e alterou elementos relacionados à cena do crime. Essas condutas fundamentaram a condenação adicional por fraude processual.
Ex-vereador foi preso em janeiro
João Pereira Sena exerceu mandato na Câmara Municipal de Aurelino Leal entre 2009 e 2012. Após o crime, ele permaneceu foragido até 23 de janeiro de 2026, quando policiais o localizaram na região de Catulé, zona rural do município.
A prisão ocorreu durante uma operação da Polícia Civil. Na ocasião, os agentes apreenderam um aparelho celular e uma motocicleta com restrição de roubo.
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Agora, com a decisão do Tribunal do Júri, o condenado permanece preso e deverá cumprir a pena determinada pela Justiça, enquanto aguarda os desdobramentos do recurso anunciado pela defesa.


