A Justiça concedeu liberdade à soldado da Polícia Militar Valdilene Nonato Santos França, investigada pela morte do vendedor de lanches Leonardo Gil Lima, em Salvador. A decisão foi tomada em 2 de outubro e divulgada pela Polícia Militar nesta segunda-feira (12).

A policial estava presa desde 4 de agosto, após investigação sobre o disparo que atingiu a cabeça do comerciante durante uma ocorrência no bairro de São Cristóvão. Agora, ela poderá responder ao processo em liberdade, desde que cumpra as medidas cautelares determinadas pela Justiça.
Policial terá que cumprir medidas cautelares
Entre as determinações judiciais está a suspensão do exercício da função pública por 180 dias. Além disso, a soldado não poderá manter contato com testemunhas nem com familiares de Leonardo.
A decisão também proíbe a entrada da policial na localidade de Lessa Ribeiro, em São Cristóvão, onde o comerciante foi baleado.
Apesar da liberdade concedida, o caso continua sob investigação. A medida judicial não encerra o processo nem representa uma absolvição da investigada.
Comerciante foi morto em julho
Leonardo Gil Lima morreu em 23 de julho, após ser atingido por um disparo na Rua Lessa Ribeiro. Ele chegou a ser socorrido para uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.
Na ocasião, a Polícia Militar informou que equipes da 49ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) realizavam patrulhamento quando foram recebidas a tiros por homens armados. Segundo a corporação, os agentes reagiram e encontraram o comerciante baleado ao final da ocorrência.
Entretanto, familiares e testemunhas contestaram essa versão. Eles afirmaram que Leonardo havia acabado de chegar do trabalho e foi atingido em frente à própria residência, sem que houvesse confronto naquele local.
Imagens de câmeras corporais entraram na investigação
A prisão da soldado ocorreu após análises das imagens registradas pelas câmeras corporais utilizadas pelos policiais envolvidos na ação.
Segundo a Polícia Civil, o inquérito conduzido pela 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico) foi encaminhado ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) em 29 de setembro, com o indiciamento da investigada por homicídio.
Paralelamente, a Polícia Militar informou que apura possíveis responsabilidades disciplinares dos agentes envolvidos e que abriu procedimento administrativo para analisar a ocorrência.
Morte provocou protestos em São Cristóvão
A morte do comerciante provocou manifestações de familiares e moradores, que cobraram justiça e esclarecimentos sobre as circunstâncias do disparo.
Durante os protestos, um ônibus foi incendiado e o transporte público chegou a ser suspenso no bairro.
Leia mais
Agora, com a liberdade concedida à policial, a investigação e os procedimentos judiciais continuam. A apuração deverá esclarecer as circunstâncias da morte de Leonardo e as responsabilidades dos envolvidos.



