A Justiça determinou a revogação da prisão preventiva de um policial militar da reserva investigado na Operação Skywalker, que apura a atuação de uma organização criminosa com base em Feira de Santana e conexões com o Rio de Janeiro. A decisão foi proferida na segunda-feira (19) pela Vara dos Feitos Relativos a Tóxicos e Acidentes de Veículos da Comarca de Feira de Santana.
O investigado estava preso preventivamente havia cerca de um ano e meio, desde a primeira fase da operação, deflagrada em abril de 2025. Conforme a investigação, ele é suspeito de integrar o grupo criminoso, que teria envolvimento com o tráfico de drogas e o comércio ilegal de armas e munições.
Ministério Público foi favorável à soltura
A decisão judicial teve parecer favorável do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), que passou a considerar suficientes medidas cautelares alternativas à prisão.
Ao analisar o pedido, a magistrada levou em conta a mudança de posicionamento do Ministério Público, o período já cumprido de prisão preventiva e a ausência de fatos novos que justificassem a manutenção da medida.
Outro ponto considerado foi a comprovação de uma cirurgia agendada para o investigado no dia 27 de outubro, no Hospital de Brotas, em Salvador.
Segundo a defesa, a decisão deveria ser cumprida ainda nesta terça-feira (20), no Batalhão de Choque da Polícia Militar, em Lauro de Freitas.
PM terá de cumprir medidas cautelares
Embora tenha determinado a soltura, a Justiça estabeleceu condições para que o policial responda ao processo em liberdade. Entre as medidas estão:
- Atualização cadastral: manter endereço e telefones atualizados perante o juízo.
- Restrição de deslocamento: não permanecer fora da comarca de residência por mais de oito dias sem autorização judicial, com exceção do deslocamento a Salvador para a cirurgia autorizada.
- Proibição de contato: não manter contato presencial ou por meios eletrônicos com corréus e testemunhas do processo.
- Recolhimento domiciliar: permanecer em casa das 19h às 5h e durante todo o período aos sábados, domingos e feriados.
Conforme a decisão, o descumprimento das condições poderá resultar no restabelecimento da prisão preventiva.
A soltura não encerra o processo nem representa absolvição. O policial continua sendo investigado e poderá responder às acusações conforme o andamento da ação judicial.
Defesa afirma trabalhar para comprovar inocência
O advogado Armênio Seixas, responsável pela defesa, afirmou que trabalha para demonstrar a inocência do cliente. Segundo ele, a investigação envolve suspeitos presos em diferentes estados, incluindo Bahia, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
O defensor também destacou que a concessão da liberdade durante o andamento do processo representa um avanço para a estratégia da defesa. No entanto, a investigação e o processo criminal ainda não foram concluídos.
Relembre a Operação Skywalker
A Operação Skywalker foi deflagrada em 30 de abril de 2025 por forças de segurança da Bahia, com participação da Polícia Civil, do Ministério Público estadual e de unidades especializadas no combate ao crime organizado.
A primeira fase teve como alvo uma organização criminosa com atuação logística e financeira a partir de Feira de Santana. As diligências ocorreram simultaneamente em diferentes localidades, incluindo Salvador, Brasília, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte. Ao todo, 17 pessoas foram presas naquela etapa, segundo as informações divulgadas sobre a operação.
Entre os alvos estavam o policial militar da reserva e uma advogada criminalista suspeita de movimentar recursos do grupo. Na ocasião, a Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 84 milhões em contas ligadas a empresas apontadas como de fachada.
A segunda fase ocorreu em 17 de julho de 2025 e concentrou esforços nos operadores financeiros da organização. As investigações resultaram na denúncia formal de 32 pessoas pelo Ministério Público.
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As apurações buscam esclarecer a estrutura do grupo, a movimentação de recursos e as possíveis conexões entre integrantes da organização criminosa na Bahia e no Rio de Janeiro.


