O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) entregue seus passaportes e fique proibido de deixar o Brasil. A decisão, assinada no domingo (25) e divulgada nesta segunda-feira (26), foi tomada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz.
A determinação estabelece três medidas principais: a proibição de contato entre Flávio Bolsonaro e Tomaz, o cancelamento dos passaportes brasileiros do senador — incluindo o diplomático — e a entrega, no prazo de 24 horas, de passaportes que ele eventualmente possua de outras nacionalidades.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que foi intimado a entregar os documentos quando deixava a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, nesta segunda-feira.
O senador também contestou a justificativa da decisão e negou ter afirmado que deixaria o país caso perdesse a eleição.
Investigação apura possível esquema de lavagem de dinheiro
O caso começou na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, onde as autoridades investigavam suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e possível utilização de empresas ligadas a casas de apostas.
A investigação avançou após a Polícia Federal analisar dados eletrônicos de Willer Tomaz. Segundo relatório policial, e-mails encontrados durante a apuração indicaram que Flávio Bolsonaro aparecia como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, pertencente ao advogado.

De acordo com a PF, essa condição poderia permitir um nível elevado de acesso e gerenciamento da conta. Um e-mail de maio de 2025 também teria solicitado a retirada do acesso do senador.
Os investigadores apontaram ainda outros indícios de proximidade entre Flávio e Tomaz, incluindo registros de encontros, reuniões, festas e documentos pessoais encontrados no armazenamento em nuvem do advogado.
O relatório também menciona viagens do senador custeadas por uma empresa ligada a Tomaz. Esses elementos integram a investigação e, isoladamente, não comprovam a prática de um crime.
Caso chegou ao Supremo por envolver senador
Como Flávio Bolsonaro ocupa uma cadeira no Senado Federal, o processo foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal. Em 8 de outubro, o caso chegou à Corte, e Alexandre de Moraes foi sorteado relator.
A decisão que impôs as restrições pessoais ao parlamentar foi tomada nesse contexto investigativo. Os fundamentos completos da medida e seus desdobramentos deverão ser considerados no andamento do processo.
Jatinho compartilhado também entrou na investigação
Outro elemento analisado pela Polícia Federal envolve uma viagem realizada em janeiro de 2025, quando Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz viajaram dos Estados Unidos para o Brasil em um avião executivo.
A aeronave, um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, tinha três cotas de propriedade naquele período. Uma delas pertencia à Alcazar Holdings, ligada a Tomaz; as outras estavam vinculadas ao empresário Laerte Cosentino e ao banqueiro Daniel Vorcaro, por meio da empresa Prime You, responsável pela administração do uso compartilhado do avião.
A participação da aeronave e das empresas no conjunto de informações investigadas não representa, por si só, comprovação de irregularidade no voo.
Flávio contesta decisão
Ao comentar a medida, Flávio Bolsonaro afirmou que a determinação teria sido motivada por uma declaração atribuída ao irmão, Eduardo Bolsonaro, publicada em 23 de outubro. Segundo o senador, ele próprio nunca disse que deixaria o Brasil caso perdesse a eleição.
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A decisão restringe a possibilidade de viagem internacional e determina a entrega dos documentos dentro dos prazos estabelecidos. O caso segue em investigação, e as suspeitas contra os envolvidos ainda dependem da apuração e da análise judicial.


