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Salvador

“Não estamos pedindo privilégios”: advogadas presas na Operação Sintonia de Gravata fazem apelo à OAB

Profissionais relatam falta de água mineral, papel higiênico, estrutura para armazenar e preparar alimentos e condições adequadas para estudo; dez advogados continuam presos após novo habeas corpus ser negado pela Justiça da Bahia.

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Redação
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Publicado: 15/09/26 às 08:00
Última atualização: 15/09/26 às 08:00
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Presídio de SalvadorReprodução
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O Gomes News teve acesso, com exclusividade, a uma carta assinada por advogadas que estão custodiadas no âmbito da Operação Sintonia de Gravata. O documento expõe uma situação que promete reacender o debate sobre as condições de prisão e as prerrogativas da advocacia na Bahia.

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Você encontra aqui
  • Críticas à atuação da OAB
  • O que é a Operação Sintonia de Gravata?
  • Novo habeas corpus é negado
  • Entre acusações e direitos

As profissionais fazem um apelo à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e aos colegas de profissão por aquilo que classificam como “apoio e atenção efetiva”.

Segundo as advogadas, apesar de o espaço de custódia ser considerado “condigno”, existem problemas básicos que ainda não teriam sido solucionados.

Carta assinada por advogadas presas na Operação Sintonia de Gravata

Elas afirmam que duas mulheres dormem em cada quarto e que existe apenas um banheiro com chuveiro para dez mulheres. Também relatam a falta de água mineral e de estrutura adequada para armazenar e preparar alimentos.

Entre as reivindicações estão uma geladeira com capacidade suficiente para guardar os alimentos, um micro-ondas, uma máquina de lavar — que, segundo elas, já foi comprada, mas estaria impedida de ser utilizada — e até papel higiênico.

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“Não estamos pedindo privilégios, e sim dignidade e respeito.”

A carta também chama atenção para a necessidade de condições mínimas para o exercício intelectual da profissão.

As advogadas afirmam que precisam de estrutura adequada para os atendimentos advocatícios e para estudar, ressaltando que continuam sendo profissionais do Direito.

Críticas à atuação da OAB

Outro trecho da carta é direcionado diretamente à OAB.

As profissionais relatam que, depois da negativa do habeas corpus, o ambiente passou a ser marcado, segundo elas, por “grande tensão de abandono” e falta de informações claras.

Elas questionam a comunicação da instituição sobre as providências adotadas no caso, incluindo a interposição de recursos.

A própria OAB-BA informou posteriormente que pretende levar a discussão às instâncias superiores, especialmente sobre o direito dos advogados presos ao recolhimento em Sala de Estado-Maior e sobre a validade de provas obtidas por meio de gravações realizadas no parlatório do Conjunto Penal de Serrinha.

O que é a Operação Sintonia de Gravata?

A operação foi deflagrada em 3 de julho de 2026 por uma força-tarefa que reuniu Ministério Público da Bahia, Polícia Civil, Secretaria da Segurança Pública e Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização.

A investigação busca desarticular um suposto esquema envolvendo organizações criminosas que atuariam a partir do sistema prisional.

Inicialmente, oito advogados foram presos. O número chegou a dez profissionais, além de outros investigados que já estavam custodiados no sistema prisional.

Segundo as autoridades, os advogados são investigados sob suspeita de utilizar a atividade profissional para facilitar a comunicação entre integrantes de facções presos e pessoas que estariam em liberdade, além de possíveis relações com atividades criminosas.

As acusações ainda estão sendo discutidas na Justiça, e os investigados não devem ser tratados como culpados antes de uma decisão judicial definitiva.

Novo habeas corpus é negado

A situação ganhou novo capítulo em 25 de agosto.

A Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Bahia negou os pedidos de habeas corpus apresentados em favor dos investigados e manteve a prisão preventiva dos dez advogados.

Um dos pontos centrais da discussão envolve as gravações realizadas no parlatório do Conjunto Penal de Serrinha. A OAB-BA e o Conselho Federal da OAB questionam a legalidade do monitoramento e alegam possível violação das prerrogativas profissionais.

Após a decisão, a OAB-BA anunciou que pretende recorrer às instâncias superiores, levando as discussões ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, se necessário, ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre acusações e direitos

O caso coloca novamente em evidência uma discussão delicada: até onde vão as prerrogativas profissionais de um advogado investigado e quais condições devem ser garantidas durante uma prisão preventiva?

A investigação apura suspeitas graves relacionadas ao crime organizado. Ao mesmo tempo, a condição de investigado não elimina direitos fundamentais nem as prerrogativas previstas para o exercício da advocacia.

Agora, com a carta, as próprias advogadas custodiadas colocam outro elemento no centro da discussão: as condições em que estão sendo mantidas presas.

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E deixam um questionamento direto aos colegas:

A advocacia deve defender suas prerrogativas também quando os próprios advogados estão sob investigação?

A matéria será atualizada, assim que a OAB se posicionar sobre o conteúdo da carta.

MARCADO:AdvogadasOABOperação Sintonia de GravataPolícia
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