O tráfico de drogas ganhou uma espécie de versão de luxo. É o que aponta a investigação que deu origem à Operação Iceberg, deflagrada nesta quinta-feira (24) pela Polícia Civil da Bahia.
Segundo as apurações, um grupo usava redes sociais para vender drogas a médicos, empresários, advogados e outros consumidores de alto poder aquisitivo. Os negócios movimentaram mais de R$ 9,6 milhões, de acordo com a investigação.
A operação cumpre mandados em Salvador, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Ilhéus, na Bahia, além de Aracaju, em Sergipe.
Drogas eram vendidas pelas redes sociais
De acordo com a Polícia Civil, o Instagram funcionava como uma espécie de vitrine. Os clientes faziam os pedidos por mensagens privadas e pagavam, principalmente, por PIX.
Depois, as drogas eram entregues em locais combinados, dentro de embalagens discretas e sem identificação.
O esquema chamava atenção também pela forma como os entorpecentes eram comercializados. Segundo os investigadores, algumas drogas recebiam nomes próprios e eram apresentadas como produtos diferenciados, com preços acima daqueles praticados no mercado ilegal convencional.
Entre os nomes identificados estão ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA, relacionado a variedades de cannabis importadas.
Luxo por fora, tráfico por dentro
A investigação aponta ainda que os suspeitos mantinham um padrão de vida incompatível, segundo a polícia, com uma atividade aparentemente legal.
Os envolvidos circulavam em veículos de luxo, moravam em imóveis de alto padrão e se apresentavam como empresários.
Por isso, a operação recebeu o nome de Iceberg: para os investigadores, aquilo que aparecia nas redes sociais e na vida pública seria apenas uma parte de uma estrutura muito maior.
Mais de 16 mil transações
A análise financeira aprofundou o cerco.
Segundo a Polícia Civil, os investigadores identificaram mais de 16,6 mil transações bancárias, envolvendo os investigados e outras pessoas relacionadas à movimentação dos recursos.
Ao todo, os valores ultrapassaram R$ 9,6 milhões.
Com base nas informações reunidas durante a investigação, a Justiça determinou o bloqueio de 20 contas bancárias, sendo 15 de pessoas físicas e cinco de empresas. Também foram determinadas medidas para impedir a movimentação de veículos e outros bens.
Drogas chegavam de outros estados
As apurações indicam ainda que parte do abastecimento vinha de São Paulo. Um fornecedor seria responsável pelo envio de grandes quantidades de entorpecentes para distribuição na Bahia e em Sergipe.
A polícia também investiga informações sobre drogas importadas do Paraguai. Segundo os investigadores, parte desse material teria sido transportada de forma camuflada em produtos de beleza.
Investigação começou em outra operação
A Operação Iceberg surgiu a partir de informações encontradas durante a Operação Gênesis, também conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Durante aquela investigação, os policiais encontraram dados em um perfil de rede social que abriram uma nova linha de apuração. A análise revelou indícios de comercialização de drogas e levou os investigadores até a estrutura agora combatida.
A operação reúne equipes do DHPP, Departamento de Inteligência Policial, Laboratório de Lavagem de Capitais, Denarc, Depin, Core e Departamento de Polícia Técnica.
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As investigações continuam para identificar todos os envolvidos, dimensionar a estrutura financeira do grupo e descobrir a origem e o destino dos entorpecentes.



