A Polícia Civil da Bahia prendeu quatro pessoas na manhã desta quinta-feira (17), em Salvador, no âmbito da Operação Valor Venal. A investigação desarticulou uma organização criminosa responsável por fraudar o sistema do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) na Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz).
Entre os capturados estão dois despachantes, uma consultora e uma ex-funcionária terceirizada da administração municipal, apontada como a responsável direta pelas alterações nos bancos de dados do órgão. Os despachantes abordavam proprietários de terrenos e imóveis de alto padrão na capital oferecendo serviços ilegais de “revisão tributária”.
O grupo cobrava honorários proporcionais ao desconto obtido e repassava os valores para a dupla de consultoras e para a ex-terceirizada. As alterações contavam com a facilitação de uma servidora efetiva, afastada do cargo por ordem judicial. O bando modificava dados como ano de construção e fatores de valorização. Em um dos casos identificados, um imóvel avaliado em R$ 2,48 milhões teve o valor cadastral reduzido para R$ 287 mil, fazendo o IPTU despencar de R$ 29 mil para R$ 2,8 mil.
As apurações apontam que, entre dezembro de 2024 e janeiro de 2026, cerca de 700 imóveis se beneficiaram das adulterações, resultando na ocultação de mais de R$ 1,2 bilhão em patrimônio imobiliário no sistema fiscal da prefeitura.
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Por fim, a investida foi coordenada pelo Núcleo Especializado no Combate aos Crimes Econômicos e Contra a Ordem Tributária (Neccot), do Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco-LD). A prefeitura deixou de arrecadar R$ 20 milhões durante o período de atuação do grupo.



