Quatro anos depois de um assassinato que abalou o mundo empresarial do Paraná, a polícia conseguiu localizar um dos principais personagens apontados na investigação.
Paulo Santos da Silva, conhecido como Pastor Paulo, foi preso na noite de sexta-feira (18), em São Miguel dos Campos, em Alagoas.

Ele era procurado pela Justiça e é acusado pela Polícia Civil do Paraná de ter coordenado o assassinato do empresário José Claiton Leal Machado, morto em uma emboscada em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, em abril de 2022.
A prisão aconteceu durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal na BR-101.
Segundo a investigação, Pastor Paulo apresentou um documento falso aos agentes. Por isso, além do mandado relacionado ao homicídio, ele também foi autuado em flagrante por falsa identidade.
Uma morte planejada
José Claiton tinha 36 anos e ocupava um cargo de direção na Odonto Excellence, rede de franquias odontológicas com mais de mil unidades no Brasil e presença também em outros países.
Na noite de 19 de abril de 2022, ele foi vítima de uma emboscada em Ponta Grossa.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil apontaram que o crime teria sido encomendado pelo empresário Oséias Gomes de Moraes, então CEO da empresa.
Segundo a polícia, desavenças pessoais e empresariais estariam entre as razões para o assassinato. Uma das hipóteses investigadas era o temor de que José Claiton pudesse assumir o controle da empresa.
A defesa de Oséias, entretanto, contesta a versão apresentada pela investigação e afirma que o empresário também teria sido vítima de criminosos.
O papel do Pastor Paulo
De acordo com a Polícia Civil, Paulo Santos da Silva teria feito a ligação entre o suposto mandante e o executor do assassinato.
Ele foi indiciado, teve a prisão preventiva decretada e posteriormente foi pronunciado pela Justiça, decisão que encaminha o acusado para julgamento pelo Tribunal do Júri, ainda sujeita aos recursos previstos em lei.
Em maio deste ano, a Polícia Civil chegou a divulgar imagens de Pastor Paulo e pedir ajuda para localizá-lo.
As investigações indicavam que ele poderia estar em Três Rios, no Rio de Janeiro. Em agosto, equipes policiais chegaram a tentar prendê-lo em uma cobertura localizada em Praia Grande, no litoral de São Paulo, mas ele não foi encontrado.
Uma prisão que atravessou quatro estados
A localização do foragido só foi possível após um trabalho de inteligência e troca de informações entre as Polícias Civis do Paraná, São Paulo, Bahia e Alagoas, além da Polícia Rodoviária Federal.
Agora, Pastor Paulo permanece à disposição da Justiça.
A prisão representa mais um capítulo de um caso que começou com uma emboscada, passou por uma investigação envolvendo interesses empresariais e chegou a uma rede de suspeitos que, segundo a polícia, teria sido mobilizada para eliminar um diretor de uma das maiores redes de franquias odontológicas do país.
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O assassinato aconteceu há quatro anos. Mas, para a Justiça, a história ainda está longe de terminar.



