Um golpe envolvendo inteligência artificial fez um pastor perder R$ 16 mil na compra de um carro anunciado pela internet, na Bahia. A vítima é Gilvan de Jesus Gonçalves, que pretendia utilizar o veículo no trabalho de recuperação de cadeiras de rodas e outros equipamentos destinados a pessoas com deficiência.
Segundo informações divulgadas, a fraude aconteceu na sexta-feira (9), durante uma negociação iniciada pelo Facebook. O caso é investigado pela Polícia Civil em Salvador.
O que chama a atenção na ocorrência é a suspeita de que o criminoso tenha utilizado inteligência artificial para reproduzir a voz do cunhado do pastor e convencê-lo de que a negociação era legítima.
Golpista teria clonado voz de familiar
Gilvan contou que encontrou o anúncio do veículo no Facebook e começou a conversar com o suposto vendedor.
Durante a negociação, o criminoso utilizou dois números de telefone. Em um deles, apresentava-se como vendedor; no outro, fingia ser o cunhado da vítima.
Para tornar a história mais convincente, o suspeito teria utilizado uma captura de tela do celular do familiar e mensagens de voz enviadas por ele.
Segundo o relato, o golpista pediu ao cunhado que enviasse áudios, alegando que tinha dificuldade para ler as mensagens escritas. A suspeita é de que essas gravações tenham sido utilizadas para reproduzir a voz dele com auxílio de inteligência artificial.
Assim, o criminoso conseguiu dar mais credibilidade à negociação e convencer o pastor de que estava tratando diretamente com alguém de confiança.
Pastor fez Pix de R$ 16 mil e seguiu para buscar o carro
Durante a conversa, o suposto vendedor afirmou que o veículo havia passado pela avaliação de um mecânico e estava aprovado.
Além disso, solicitou documentos pessoais e um comprovante de residência de Gilvan, alegando que precisava adiantar os procedimentos de transferência do automóvel junto ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran).
Convencido de que a compra era legítima, o pastor realizou uma transferência via Pix de R$ 16 mil.
Em seguida, ele saiu em direção a Salvador para buscar o veículo, no bairro de São Cristóvão.
No entanto, durante o trajeto, percebeu que as mensagens da negociação haviam sido apagadas. Ao tentar entrar em contato com o suposto vendedor, não recebeu mais respostas.
Foi nesse momento que Gilvan descobriu que havia caído em um golpe.
Outras cinco pessoas relataram golpes semelhantes
Após perceber a fraude, o pastor procurou a Delegacia Territorial de Itapuã, em Salvador, para registrar a ocorrência.
De acordo com o relato dele, outras cinco pessoas já haviam comparecido à mesma unidade policial para denunciar golpes semelhantes.
Gilvan também informou que comunicou a fraude ao banco responsável pela transação, mas não conseguiu recuperar o dinheiro até o momento da reportagem.
A Polícia Civil informou que realiza diligências para esclarecer os fatos e identificar os responsáveis.
Como se proteger de golpes com voz clonada
O caso reforça o alerta para fraudes que utilizam inteligência artificial para imitar a voz de familiares, amigos ou conhecidos.
Por isso, antes de transferir dinheiro, especialmente durante negociações pela internet, é importante adotar algumas precauções:
- Confirme a identidade por outro canal: ligue para o número que você já conhece da pessoa, em vez de utilizar apenas o contato fornecido durante a negociação.
- Desconfie de pedidos urgentes de dinheiro: golpistas podem criar situações de pressão para impedir que a vítima confira as informações.
- Verifique o veículo pessoalmente: confirme a existência do automóvel, os documentos e a identidade do proprietário antes de efetuar qualquer pagamento.
- Não confie apenas na voz: áudios podem ser manipulados ou reproduzidos artificialmente, mesmo quando parecem familiares.
- Confira os dados do destinatário do Pix: antes de confirmar a transferência, verifique se o nome corresponde à pessoa ou empresa envolvida na negociação.
Se a fraude já aconteceu, a orientação é entrar em contato imediatamente com o banco, solicitar a análise da transação pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), quando aplicável, e registrar um boletim de ocorrência. A recuperação do dinheiro não é garantida.
Leia mais
Enquanto a investigação avança, o caso de Gilvan serve de alerta para quem compra veículos e outros produtos anunciados nas redes sociais.



