A circulação de ônibus em Salvador durante o segundo turno das eleições presidenciais voltou ao centro do debate após relatos de problemas na operação do transporte público. A Prefeitura afirma que disponibilizou a mesma frota utilizada no primeiro turno, mas reconheceu que uma ação de apoiadores de um dos candidatos provocou atrasos na saída de veículos das garagens.
Segundo o secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, a programação foi definida antecipadamente, publicada no Diário Oficial do Município e comunicada ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA).
Prefeitura defende planejamento da frota
De acordo com o secretário, a operação adotada no segundo turno seguiu o mesmo modelo do primeiro, quando, segundo ele, houve apenas duas reclamações.
Pablo Souza também afirmou que a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não determina necessariamente a circulação de 100% da frota nos dias de votação. Segundo sua interpretação, a regra exige que o serviço seja adequado à demanda de passageiros.
A Prefeitura sustenta que o planejamento levou em conta as características do deslocamento dos eleitores e que a operação seguiu um modelo já utilizado em eleições anteriores.
Adesivaço eleitoral provocou atrasos, diz secretário
O secretário apontou uma ação de apoiadores de um dos candidatos à Presidência como o principal fato novo durante o segundo turno.
Segundo Pablo Souza, os apoiadores realizaram um adesivaço em ônibus do transporte público, o que atrasou a saída de veículos das garagens. As concessionárias começaram a retirar adesivos de propaganda eleitoral dos coletivos, diante da proibição de utilizar equipamentos públicos para esse tipo de publicidade.
O secretário afirmou que determinou a circulação dos ônibus, independentemente da situação dos adesivos.
Apesar da justificativa, Pablo Souza reconheceu que o episódio afetou o funcionamento do sistema nas primeiras horas da manhã.
A Secretaria Municipal de Mobilidade, segundo ele, trabalhou para normalizar a operação até as 10h e garantir o transporte gratuito dos eleitores.
Registros de GPS serão enviados ao TRE-BA
Para sustentar a versão da Prefeitura, a Secretaria Municipal de Mobilidade está encaminhando ao TRE-BA os registros de GPS dos ônibus que circularam no domingo.
Segundo o secretário, todos os veículos da frota municipal contam com monitoramento 24 horas por dia. Os dados poderão ajudar a verificar os horários e os trajetos dos coletivos, além de permitir a análise da operação realizada durante a votação.
A documentação poderá contribuir para esclarecer questionamentos sobre a circulação dos ônibus e os atrasos registrados durante o segundo turno.
Prefeitura destaca redução da abstenção
Outro argumento apresentado pela gestão municipal foi a redução da abstenção eleitoral em Salvador.
Segundo os números divulgados pela Prefeitura, a capital baiana registrou queda de 4,37 pontos percentuais na abstenção, com a participação de mais de 85 mil eleitores adicionais.
A administração municipal também comparou o modelo de operação adotado em Salvador com o de outras capitais e com o transporte metropolitano da Bahia.
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O debate sobre a frota, os atrasos e a organização do transporte público, porém, envolve questões distintas: a quantidade de ônibus disponibilizada, o cumprimento da programação e a regularidade efetiva da circulação. Os registros de GPS anunciados pela Prefeitura poderão ajudar a esclarecer esses pontos.


