A noite desta segunda-feira (28) terminou novamente com uma cena de tensão no Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador.
Um adolescente apontado pela polícia como integrante de uma facção foi localizado durante uma ocorrência de cárcere privado na localidade da Santa Cruz. Segundo informações da Polícia Militar, ele teria invadido uma residência e ameaçado de morte os moradores depois de fugir durante uma ação policial.
O que chama a atenção é que, conforme as informações da ocorrência, o mesmo adolescente já havia sido apreendido cerca de seis meses atrás, também em uma situação envolvendo moradores feitos reféns no Complexo do Nordeste de Amaralina.
Nova ocorrência começou após troca de tiros
De acordo com a PM, equipes do 30º Batalhão de Polícia Militar (BPM) realizavam patrulhamento na região quando foram recebidas a tiros. Durante a ação, os policiais iniciaram um cerco para localizar os suspeitos.
Foi nesse momento que o adolescente teria entrado em uma residência e passado a ameaçar os moradores. A situação rapidamente mudou de uma ocorrência policial para uma operação de negociação, já que havia pessoas dentro do imóvel sob ameaça.
Equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foram acionadas. Após as negociações, o adolescente liberou os moradores e se entregou aos policiais. Não há, nas informações divulgadas sobre a ocorrência, registro de feridos entre os reféns.
Seis meses antes, cinco pessoas ficaram reféns
A ligação com a ocorrência de março torna o episódio ainda mais relevante. Na noite de 2 de março, equipes do 30º BPM e da Rondesp Atlântico foram acionadas após denúncias de homens armados na região de Santa Cruz.
Durante a ação, cinco suspeitos invadiram uma residência e mantiveram cinco pessoas da mesma família como reféns, entre elas uma criança.
A negociação conduzida pelo Bope durou mais de três horas. Por volta da madrugada, os suspeitos se renderam e os moradores foram libertados sem ferimentos. Quatro adultos foram presos e um adolescente foi apreendido.
A ocorrência teve ainda confronto entre policiais e suspeitos, com dois homens mortos.
Posteriormente, decisões judiciais relacionadas ao caso registraram que os envolvidos eram investigados por crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, sequestro e cárcere privado qualificado e porte de arma de fogo de uso restrito.
O processo judicial também registra a presença de cinco pessoas mantidas como reféns durante aproximadamente quatro horas.
Casos de reféns se repetiram durante o ano
O episódio desta segunda-feira não é um caso isolado no Complexo do Nordeste de Amaralina.
Em 24 de abril, durante a Operação Sentinela, policiais encontraram um suspeito que teria fugido para dentro de uma residência e mantido uma mulher e uma criança em cárcere privado.
O Bope foi acionado e conseguiu negociar a libertação das vítimas. Uma pistola calibre 9 mm foi apreendida.
Já em 1º de agosto, cinco homens suspeitos de integrar uma facção foram presos depois de manterem seis moradores em cárcere privado durante uma fuga. As vítimas foram libertadas sem ferimentos após negociação com o Bope. Três armas de fogo foram apreendidas.
Em 16 de setembro, outro episódio aconteceu em Santa Cruz. Um homem de 25 anos, segundo a Polícia Militar, trocou tiros com policiais, invadiu uma residência e manteve duas pessoas como reféns.
As vítimas foram libertadas sem ferimentos depois da negociação conduzida pelo Bope. Uma pistola 9 mm, munições e outros materiais foram apreendidos.
Poucos dias depois, em 22 de setembro, outro caso envolvendo uma mulher e uma criança como reféns foi registrado no Nordeste de Amaralina, segundo informações divulgadas pela imprensa local.
Operação Dominus Areae mantém policiamento reforçado
A nova ocorrência acontece em meio à Operação Dominus Areae, iniciada pela Polícia Militar em agosto com atuação intensificada no Nordeste de Amaralina, Santa Cruz, Vale das Pedrinhas e Chapada do Rio Vermelho.
A operação prevê ocupação de pontos estratégicos, patrulhamento, abordagens e emprego de unidades especializadas.
Na ocorrência desta segunda-feira, após a libertação dos moradores e a entrega do adolescente, as equipes permaneceram na região.
Segundo a PM, o policiamento ostensivo seguirá reforçado por tempo indeterminado.
A repetição de situações em que suspeitos entram em imóveis e fazem moradores de reféns coloca novamente Santa Cruz e outras localidades do Complexo no centro das ações de segurança pública.
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Agora, além de esclarecer a ocorrência desta segunda-feira, as autoridades deverão apurar as circunstâncias envolvendo o adolescente e verificar sua eventual participação em outros episódios investigados.



