Uma viagem que deveria terminar em hospitais da Grande Curitiba terminou em uma das maiores tragédias rodoviárias do Paraná nos últimos anos. Um micro-ônibus da Secretaria Municipal de Saúde de Imbituva bateu de frente com uma carreta na BR-373, na região de Ipiranga, nos Campos Gerais, na madrugada desta quarta-feira (19).
O impacto foi devastador. 23 pessoas morreram, sendo 21 adultos e duas crianças. Entre os adultos, estavam 13 mulheres e oito homens. A maioria das vítimas estava no micro-ônibus, que transportava pacientes e acompanhantes para consultas e tratamentos médicos. O motorista da carreta, que estava sozinho no veículo, também morreu.
A colisão aconteceu por volta das 3h30, no quilômetro 209 da BR-373. Segundo informações preliminares da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a carreta seguia no sentido Ponta Grossa–Prudentópolis quando teria invadido a pista contrária e atingido frontalmente o micro-ônibus, que seguia para a região de Curitiba.
E foi justamente a violência da batida que transformou a madrugada em cenário de destruição.
Cinco pessoas ficaram feridas
Além das 23 mortes, cinco pessoas sobreviveram ao acidente e foram socorridas para hospitais de Ponta Grossa. Três delas estavam em estado grave, segundo os primeiros atendimentos realizados pelas equipes de emergência. Entre os sobreviventes havia também uma criança.
Equipes da PRF, Corpo de Bombeiros, Samu, concessionária Via Araucária e Polícia Científica foram mobilizadas para atender a ocorrência.
A rodovia precisou ficar totalmente interditada durante horas. O bloqueio provocou congestionamentos e só houve liberação depois da conclusão dos trabalhos de resgate, perícia e remoção dos veículos.
Vítimas começaram a ser identificadas
A identificação dos mortos mobilizou uma grande operação da Polícia Científica do Paraná. Equipes de diferentes cidades foram acionadas e passaram a utilizar protocolos específicos para identificação de vítimas de desastres, incluindo exames, coleta de material genético e confronto com informações fornecidas pelos familiares.
Entre os nomes já divulgados estão Nelson Luiz Bronguel, Erick Cezar Wiertel, Marcos Marconato, Willieny Marconato, Edenilze de Jesus, Clodoaldo de Jesus, Cristiane Íntima, Evelyn Silva, Ivonete Malaquias e Elisabete Malaquias, entre outras vítimas. O motorista da carreta foi identificado como Alex Rivail da Silva, de Castro, no Paraná.
A tragédia atingiu famílias inteiras. Há registros de casais, mãe e filha e irmãs entre os mortos, aumentando ainda mais a comoção em Imbituva.
Investigação tenta descobrir o que provocou a colisão
Embora a suspeita inicial seja de que a carreta tenha invadido a faixa contrária, as causas do acidente ainda estão sendo investigadas.
Um dos pontos que deverá ser analisado pelas autoridades é o estado do tacógrafo da carreta, que apresentava problemas. Também surgiu a possibilidade de que o motorista tenha dormido ao volante, hipótese que ainda precisa ser confirmada pela investigação e pelos exames periciais. Não havia, segundo as informações divulgadas, condições climáticas adversas no momento da colisão.
A carreta estava sem carga no momento do acidente e era destinada ao transporte de animais. O micro-ônibus da Prefeitura de Imbituva, por sua vez, havia sido adquirido recentemente e estava com a documentação regular, segundo informações divulgadas pelas autoridades.
Paraná em luto
A dimensão da tragédia provocou comoção em todo o estado. Imbituva entrou em luto, com suspensão de atividades e cancelamento de compromissos municipais, enquanto familiares aguardavam a identificação e a liberação dos corpos. O governador do Paraná, Ratinho Junior, também manifestou pesar e anunciou três dias de luto oficial.
O acidente é apontado como o mais letal registrado no Paraná desde 2021, quando um acidente envolvendo um ônibus na BR-376 deixou 19 mortos.
Agora, para as famílias, fica a dor de uma viagem que nunca terminou. Eram pessoas que saíram de casa em busca de tratamento, acompanhando parentes ou cumprindo uma rotina de trabalho. No caminho, encontraram uma tragédia que deixou 23 vidas interrompidas em poucos segundos.
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Enquanto a perícia busca respostas para explicar como a colisão aconteceu, Imbituva tenta lidar com o silêncio deixado por uma madrugada que dificilmente será esquecida.

