Os protestos estudantis que tomam conta da França entraram em uma nova fase de tensão nesta quinta-feira (8). Em meio às manifestações por mais investimentos na educação, adolescentes sofreram ferimentos graves durante confrontos com as forças de segurança.
Em Paris, um estudante de apenas 14 anos teve a mandíbula e vários dentes quebrados depois que uma granada de gás lacrimogêneo atingiu seu rosto durante um ato na região da Bastilha.
O policial responsável pelo disparo foi detido. As autoridades abriram uma investigação por suspeita de violência cometida por agente público com resultado de mutilação ou incapacidade permanente.
Outros estudantes também ficaram gravemente feridos
O caso de Paris não é isolado. Em Tours, um adolescente de 16 anos sofreu perda parcial da visão durante os confrontos.
O Ministério Público local investiga a possibilidade de que o ferimento tenha sido provocado por uma munição utilizada pelas forças policiais para controlar os protestos.
Além disso, em Lens, no norte da França, um estudante de 15 anos perdeu uma das mãos após uma explosão durante os confrontos.
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, o adolescente teria tentado lançar de volta contra os policiais uma granada utilizada durante a operação.
Diante do caso, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, determinou a suspensão temporária do uso de um modelo de granada de efeito moral. A medida permanecerá em vigor até que as circunstâncias do episódio sejam esclarecidas.
Mais de 6 mil pessoas foram presas
Enquanto os casos de ferimentos graves aumentam a pressão sobre o governo, os protestos continuam se espalhando pelo país.
Segundo o Ministério do Interior, 6.629 pessoas haviam sido presas desde o início das mobilizações. A maioria dos detidos é formada por menores de idade.
Ao mesmo tempo, as autoridades registraram confrontos, depredações e incêndios em diferentes pontos.
Nesta quinta-feira, 375 escolas estavam total ou parcialmente fechadas, de acordo com o Ministério da Educação.
Protestos começaram por melhorias nas escolas
As mobilizações começaram em meados de setembro e ganharam força nas últimas semanas.
Inicialmente, estudantes, professores e pais cobravam principalmente mais investimentos na educação, contratação de professores substitutos e melhorias na infraestrutura das escolas.
Entretanto, o movimento cresceu e passou a reunir sindicatos e grupos políticos.
Pelo menos 12 manifestações estavam previstas para esta quinta-feira em diferentes regiões francesas.
O governo afirma que as forças de segurança atuam para impedir atos de violência e danos ao patrimônio. Ainda assim, a atuação policial passou a ser alvo de críticas após os casos envolvendo adolescentes.
Por isso, 18 investigações foram abertas para apurar possíveis abusos cometidos por agentes durante os protestos.
Governo francês tenta conter a crise
A escalada dos confrontos aumenta a pressão sobre o primeiro-ministro Sébastien Lecornu e sobre o governo do presidente Emmanuel Macron.
Nesta quinta-feira, o ministro da Educação Nacional, Édouard Geffray, deve apresentar as primeiras medidas concretas destinadas aos estudantes.
Enquanto isso, o movimento ultrapassou as fronteiras francesas.
Na Bélgica, manifestações semelhantes aconteceram em Liège. A polícia utilizou gás lacrimogêneo e jatos d’água para dispersar os participantes. Quase 90 pessoas foram presas e policiais também ficaram feridos.
Na Itália, estudantes ocuparam escolas em cidades como Turim, Roma e Nápoles.
Assim, o que começou como uma mobilização por melhores condições de ensino ganhou uma dimensão maior. Agora, além das reivindicações educacionais, a violência nos confrontos e a atuação das forças de segurança estão no centro do debate.
França vive semanas de tensão
Com os protestos ainda ativos, o governo francês precisa equilibrar duas pressões: responder às reivindicações dos estudantes e, ao mesmo tempo, controlar episódios de violência e depredação.
As investigações sobre a conduta dos policiais deverão esclarecer se houve excessos e se os equipamentos utilizados nos confrontos contribuíram diretamente para os ferimentos.
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Enquanto isso, novas manifestações estão previstas para os próximos dias, mantendo a França em alerta diante de uma crise que já ultrapassou o ambiente escolar.



