Uma adolescente de 17 anos, investigada por suspeita de envolvimento no assassinato do próprio pai, morreu durante uma operação da Polícia Civil na quinta-feira (15), em Nova Andradina, no Mato Grosso do Sul. Ana Vitória Nascimento Santos era apontada pelos investigadores como integrante do Comando Vermelho (CV), enquanto o pai dela, morto em setembro, teria ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção rival.
Além da adolescente, outros dois homens morreram durante a ação policial. Eles foram identificados como João Lucas Santos Nunes, de 23 anos, conhecido como “Juquinha”, e Wermerson Costa Anjos, de 28 anos, chamado de “Tio Baby”. Segundo a investigação, os três eram suspeitos de integrar o CV e de participar de crimes violentos na região.
Polícia suspeita que adolescente tenha planejado a morte do pai
O pai de Ana Vitória, Gilson Santana dos Santos, foi assassinado em 29 de setembro, na cidade de Batayporã. De acordo com a Polícia Civil, a adolescente teria inventado uma denúncia de violência sexual contra ele para provocar um ataque de integrantes da facção rival.
Segundo os investigadores, a apuração não encontrou confirmação de que Gilson tenha cometido o crime sexual denunciado. A hipótese de que a acusação tenha sido usada para motivar o homicídio faz parte da linha investigativa, e as circunstâncias devem ser consideradas conforme os elementos reunidos pelas autoridades.
Ana Vitória também era investigada pela morte de Natalício Rodrigues dos Santos, ocorrida em 5 de outubro, igualmente em Batayporã. A polícia ainda atribuía à adolescente participação no núcleo de decisões da facção criminosa na região.
Operação terminou com três suspeitos mortos
A ação foi realizada por equipes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Garras), que chegaram por volta das 6h a uma casa na Rua Batayporã, no bairro São Vicente de Paulo, em Nova Andradina. O imóvel era apontado pelos investigadores como possível esconderijo de envolvidos nos homicídios.
Conforme o registro policial, Wermerson estava com uma pistola calibre 9 milímetros. Os agentes afirmaram que deram ordem para ele largar a arma, mas ele teria apontado o armamento na direção da equipe, que reagiu com disparos.
Ainda segundo a versão policial, João Lucas e Ana Vitória foram encontrados armados em um dos quartos e também teriam apontado armas contra os agentes. Os policiais, então, efetuaram novos disparos.
Os três suspeitos foram baleados e socorridos. Apesar de ainda apresentarem sinais vitais, segundo a polícia, eles morreram após serem encaminhados ao hospital. A Polícia Científica foi acionada para realizar a perícia no imóvel e contribuir para o esclarecimento das circunstâncias da ocorrência.
Armas e motocicleta foram apreendidas
Durante a operação, os agentes apreenderam uma pistola Taurus G2C, calibre 9 milímetros, um revólver Smith & Wesson, calibre .32, e um revólver Taurus, calibre .38. Também foram recolhidas 22 munições, uma delas deflagrada, além de uma motocicleta.
A investigação apura se o veículo foi utilizado no assassinato de Gilson Santana dos Santos.
Os dois homens mortos na operação também tinham registros policiais. João Lucas possuía ocorrências desde a adolescência e havia sido preso em flagrante por lesão corporal no contexto de violência doméstica, em 2023, e por homicídio, em 2024, conforme as informações divulgadas.
Já Wermerson tinha registros relacionados a organização criminosa, sequestro e cárcere privado e ameaça. Uma ocorrência de agosto de 2025 o apontava como suspeito de participar do chamado “tribunal do crime”, prática atribuída a facções criminosas para impor punições a pessoas acusadas de descumprir regras do grupo.
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A Polícia Civil segue investigando os homicídios e a possível participação dos suspeitos nos crimes. As circunstâncias da intervenção policial também dependem da análise dos elementos reunidos durante a perícia e a investigação.



