Uma mulher britânica relatou ter vivido durante anos uma rotina de violência sexual dentro do próprio casamento. Joanne Young afirmou que era dopada pelo então marido, Philip Young, para que outros homens tivessem relações sexuais com ela sem consentimento. Em depoimento à polícia, reproduzido nesta quarta-feira (28) durante um julgamento na Inglaterra, ela contou que frequentemente acordava vendada e amarrada, sem compreender o que havia acontecido.
Segundo o relato, os abusos teriam ocorrido ao longo de 13 anos. Mãe de três filhos, Joanne descreveu situações em que o marido iniciava relações sexuais quando ela já estava profundamente adormecida, muitas vezes após os dois consumirem bebidas alcoólicas.
O caso está sendo julgado no Tribunal da Coroa de Winchester, no sul da Inglaterra, e apresenta semelhanças com o de Gisèle Pelicot, francesa que sofreu abusos sexuais após ser drogada pelo então marido.
Mulher descobriu que o marido convidava desconhecidos
Em seu depoimento, Joanne relatou um episódio ocorrido em fevereiro de 2023. Naquela noite, depois de beber em um pub com amigos, ela foi dormir. Mais tarde, ao acordar, descobriu que havia outro homem no quarto.
Na manhã seguinte, Philip contou que vinha consultando fóruns na internet e que havia convidado alguém para ir à residência do casal e assistir aos dois durante uma relação sexual.
Joanne afirmou que ficou profundamente abalada ao descobrir a presença de um desconhecido no quarto.
“Foi uma invasão absoluta, algo que eu jamais teria aceitado ou desejado”, declarou, conforme o depoimento apresentado no tribunal.
A vítima também relatou que, em diversas ocasiões, despertava com os olhos vendados e o corpo amarrado, sem recordar como havia sido colocada naquela situação.
Ex-marido se declarou culpado por crimes sexuais
Philip Young, de 50 anos, declarou-se culpado, no início de 2026, por múltiplos crimes sexuais cometidos contra a então esposa. Entre as acusações admitidas estão estupro, voyeurismo e administração de substância com a intenção de atordoar ou subjugar a vítima.
Joanne abriu mão do direito ao anonimato, permitindo a divulgação de sua identidade durante o processo.
Além do ex-marido, outros quatro homens, com idades entre 32 e 62 anos, são julgados por acusações relacionadas aos abusos. Dois deles respondem por estupro e outros crimes, enquanto os demais enfrentam acusações de agressão sexual.
Os quatro homens negam as acusações. O julgamento busca esclarecer a participação atribuída a cada um deles.
Caso lembra violência sofrida por Gisèle Pelicot
A história de Joanne apresenta semelhanças com a de Gisèle Pelicot, que se tornou conhecida internacionalmente após denunciar que o então marido, Dominique Pelicot, a drogava para permitir que outros homens abusassem sexualmente dela.
Em dezembro de 2024, Dominique foi condenado a 20 anos de prisão pela Justiça francesa. O caso provocou debates internacionais sobre violência sexual, consentimento e a dificuldade de vítimas identificarem abusos cometidos enquanto estão inconscientes.
Assim como no caso francês, o relato de Joanne expõe a gravidade de situações em que a vítima perde a capacidade de consentir e tem sua segurança violada por pessoas em quem confiava.
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O julgamento na Inglaterra continua com a análise dos depoimentos e das acusações. A decisão judicial deverá esclarecer a responsabilidade dos envolvidos que ainda contestam as imputações.


