O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do empresário e influenciador fitness Renato Cariani por associação para o tráfico de drogas, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de entorpecentes e lavagem de dinheiro. Caso a Justiça acolha integralmente a acusação, a pena poderá chegar a 51 anos e 8 meses de prisão, além de multas.
O pedido faz parte das alegações finais apresentadas pela promotoria no processo que investiga um suposto esquema de desvio de produtos químicos para o narcotráfico. Além de Cariani, o Ministério Público também pediu a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes.
Atualmente, Cariani responde à ação penal em liberdade. A Justiça ainda precisa analisar as manifestações das partes e proferir a sentença. Portanto, o pedido de condenação não significa que os réus já tenham sido considerados culpados.
Investigação apura desvio de produtos químicos
O caso ganhou repercussão em dezembro de 2023, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Hinsberg para investigar o suposto desvio de substâncias químicas utilizadas na fabricação de drogas.

A investigação envolve a Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa da qual Cariani era sócio, sediada em Diadema, na Grande São Paulo.
Segundo a acusação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público paulista, a empresa teria simulado vendas de produtos químicos para empresas que não haviam feito os pedidos. Os investigadores sustentam que essas operações serviriam para justificar o desvio dos insumos.
A denúncia aponta 59 episódios relacionados ao suposto tráfico de matérias-primas e outros 59 ligados à lavagem de dinheiro. De acordo com a promotoria, os produtos desviados poderiam abastecer a produção de drogas como cocaína e crack.
Outros dois réus também podem ser condenados
Além de Cariani, Fábio Spindola Mota é apontado pela acusação como intermediador na negociação e no fornecimento dos produtos químicos. Segundo a investigação, ele faria a ligação entre a empresa e compradores ligados ao narcotráfico.

Já Rodrigo Gomes Pereira é acusado de participar da movimentação de recursos financeiros supostamente ilícitos. Conforme a promotoria, ele realizaria depósitos em dinheiro e operações destinadas a dar aparência legal aos valores.
O cálculo apresentado pela acusação considera os crimes de associação para o tráfico, tráfico de insumos e lavagem de dinheiro, além de possíveis aumentos de pena relacionados à continuidade das infrações. A pena definitiva, porém, dependerá da análise judicial de cada acusação e das circunstâncias reconhecidas na sentença.
Mensagens e operações financeiras estão entre as provas
Durante a investigação, os agentes analisaram documentos fiscais, movimentações financeiras e mensagens extraídas do celular de Cariani.
Segundo o Gaeco, os registros indicariam que o empresário tinha conhecimento sobre a destinação de determinados insumos químicos e sobre falhas nos controles de retirada dos produtos. A promotoria também afirma que ele mantinha contato próximo com um policial civil ligado à fiscalização de produtos químicos controlados.
A acusação cita, ainda, uma retirada de produtos registrada em fevereiro de 2018, que teria envolvido 100 litros de éter etílico e 50 quilos de cloridrato de lidocaína. Os promotores sustentam que documentos relacionados à operação apresentavam informações falsas.
Essas alegações integram a tese do Ministério Público e ainda dependem da avaliação do Judiciário no julgamento da ação penal.
Ministério Público pede absolvição de duas mulheres
Apesar de pedir a condenação dos três réus, o Gaeco solicitou a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na Anidrol, e de Andréia Domingues Ferreira, que também apareceram nas investigações.
A manifestação demonstra que o Ministério Público apresentou pedidos diferentes conforme os elementos que considera existentes em relação a cada pessoa investigada.
Defesa afirma que vai contestar as acusações
Em nota, o advogado Aldo Romani Netto, representante de Renato Cariani, afirmou que recebeu com naturalidade o pedido de condenação e declarou que a defesa responderá aos argumentos da promotoria na fase de alegações finais defensivas.
Segundo o advogado, a defesa pretende demonstrar, com base nas provas produzidas durante a instrução processual, que as acusações são improcedentes.
A representação jurídica também declarou confiar em um julgamento justo e manifestou convicção de que Cariani será absolvido.
Até a publicação das informações fornecidas, não havia posicionamento confirmado das defesas de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira.
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Agora, o processo segue para a análise das manifestações finais antes da sentença. Até que haja uma decisão judicial, os três réus devem ser tratados como acusados, e não como culpados pelos crimes investigados.


