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Eleições 2026

Lula ganha 10,3 milhões de votos no segundo turno: de onde veio o crescimento e o que os números revelam?

Resultado presidencial de 2026 desafia as projeções das pesquisas e abre um debate sobre a transferência de votos, o aumento do comparecimento e a decisão que prorrogou a votação até as 19h. Entenda os números, a diferença de 1,8 milhão de votos na comparação matemática e as questões institucionais que exigem esclarecimentos.

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Redação
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Publicado: 26/10/26 às 00:23
Última atualização: 26/10/26 às 00:23
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Urna Eletrônica
Urna EletrônicaTribunal Superior Eleitoral
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O resultado das eleições presidenciais de 2026 deixou uma pergunta que merece uma análise cuidadosa: como Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu ampliar sua votação em mais de 10 milhões de votos entre o primeiro e o segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro apresentou um crescimento consideravelmente menor?

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Além disso, a disputa terminou com uma diferença de 4.430.191 votos entre os candidatos. No primeiro turno, entretanto, Flávio havia terminado à frente de Lula por 2.224.965 votos.

A mudança no placar chama a atenção. Afinal, o eleitorado precisou escolher entre apenas dois candidatos no segundo turno, enquanto a primeira votação ofereceu diversas alternativas.

Ao mesmo tempo, a disputa ganhou um ingrediente institucional: o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h. A medida provocou questionamentos políticos e jurídicos, sobretudo porque surgiu no próprio dia da eleição.

Mas o que os números realmente demonstram? De onde vieram os votos adicionais? E até que ponto a decisão sobre o horário de votação pode ter influenciado o resultado?

Para responder a essas perguntas, o primeiro passo consiste em separar os dados matemáticos das hipóteses e das acusações que ainda precisam de provas.

O resultado do segundo turno em números

A apuração final divulgada para a eleição presidencial de 2026 aponta os seguintes resultados:

Fonte dos resultados: dados de apuração publicados com referência ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Lula terminou a disputa com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. Portanto, a diferença chegou a 3,58 pontos percentuais, aproximadamente.

O resultado chama a atenção porque o primeiro turno apresentou outro cenário. Naquela etapa, Flávio liderou a votação, enquanto Lula terminou em segundo lugar.

Consequentemente, a campanha do candidato do PT precisou reverter uma desvantagem inicial para conquistar a Presidência.

Primeiro turno: Flávio começou na frente

Em 4 de outubro, os eleitores tiveram diversas opções para a Presidência da República. Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.503 votos, enquanto Lula obteve 53.879.538.

A diferença entre os dois chegou a 2.224.965 votos a favor do candidato do PL.

Veja a comparação:

Fonte: resultados eleitorais publicados para os dois turnos.

Os números mostram uma diferença importante no comportamento eleitoral.

Enquanto Lula acrescentou 10.376.694 votos à sua votação inicial, Flávio conquistou mais 3.721.538. Portanto, o crescimento absoluto de Lula superou o do adversário em 6.655.156 votos.

Gráfico 1 — Crescimento da votação entre os turnos

Cada bloco representa aproximadamente 500 mil votos adicionais.

Lula
█████████████████████  +10,38 milhões

Flávio Bolsonaro
███████               +3,72 milhões

O gráfico evidencia a dimensão da mudança. Entretanto, ele não revela, por si só, a origem dos votos adicionais. Para descobrir isso, precisamos examinar os votos das candidaturas eliminadas, o comparecimento e a movimentação dos eleitores entre as duas etapas.

De onde vieram os 10.376.694 votos adicionais de Lula?

Essa é a principal pergunta da eleição.

No primeiro turno, os eleitores também escolheram candidatos que não avançaram para a etapa final. Somadas, essas candidaturas receberam 9.316.747 votos.

A comparação entre os dois números produz uma constatação relevante:

Ou seja, mesmo que todos os eleitores das candidaturas eliminadas tivessem migrado para Lula, essa transferência, isoladamente, não explicaria todo o crescimento observado.

Faltariam 1.059.947 votos.

No entanto, essa conta não significa que exista um conjunto de votos sem explicação. Ela apenas demonstra que outras mudanças no comportamento eleitoral também precisam entrar na análise.

Por exemplo, eleitores que votaram em Flávio no primeiro turno poderiam escolher Lula no segundo. O movimento contrário também poderia ocorrer. Além disso, pessoas que se abstiveram na primeira votação poderiam comparecer à segunda, enquanto eleitores que participaram da primeira poderiam deixar de votar na etapa final.

Também precisamos considerar os votos brancos e nulos. Um eleitor que escolheu uma dessas opções no primeiro turno poderia votar em um dos candidatos no segundo.

Portanto, a votação adicional de Lula não depende exclusivamente dos eleitores que escolheram candidatos eliminados.

A questão decisiva é descobrir quantos eleitores mudaram de opção, quantos compareceram pela primeira vez na disputa e quantos deixaram de participar. Para isso, precisamos de dados detalhados sobre comparecimento e comportamento eleitoral, e não apenas da comparação entre os totais nacionais.

A diferença de 1.821.246 votos: onde está o detalhe matemático?

Outro número chamou a atenção nesta eleição.

O comparecimento aumentou em 2.960.239 eleitores entre os turnos. Se somarmos esse crescimento aos 9.316.747 votos recebidos pelas candidaturas eliminadas, chegaremos a 12.276.986.

Entretanto, os dois candidatos cresceram, juntos, 14.098.232 votos.

A diferença entre essas quantidades é de 1.821.246 votos.

Gráfico 2 — A conta que provocou questionamentos

Votos das candidaturas eliminadas
  9.316.747

Aumento do comparecimento
  2.960.239
  ──────────
Soma
 12.276.986

Crescimento conjunto de Lula e Flávio
 14.098.232

Diferença entre as duas somas
  1.821.246

A diferença é real quando comparamos os números apresentados. Entretanto, existe um detalhe essencial: o aumento do comparecimento não equivale ao aumento dos votos válidos.

São indicadores diferentes.

O comparecimento considera todos os eleitores que votaram, inclusive aqueles que escolheram branco ou nulo. Já os votos válidos correspondem aos votos atribuídos aos candidatos.

No primeiro turno, o total de votos válidos foi de 119.300.788. No segundo, chegou a 124.082.273.

Portanto, o crescimento dos votos válidos foi de 4.781.485.

Veja como a conta se fecha:

Fonte: resultados publicados para o primeiro e o segundo turnos.

Agora, basta observar a relação matemática:

9.316.747 + 4.781.485 = 14.098.232.

A conta fecha exatamente.

E a diferença de 1.821.246 também tem uma explicação aritmética:

4.781.485 − 2.960.239 = 1.821.246.

Ou seja, a diferença surge porque o aumento dos votos válidos foi 1.821.246 maior do que o aumento líquido do comparecimento.

Isso não significa que identificamos individualmente a origem desses votos. Significa apenas que a discrepância apontada decorre da comparação entre dois indicadores distintos.

Para compreender o comportamento dos eleitores, ainda precisamos analisar os votos brancos, nulos, as abstenções e as possíveis transferências entre candidatos.

A abstenção caiu. Isso ajuda a explicar o resultado?

Sim, o comparecimento é uma variável importante para entender a eleição.

No primeiro turno, o comparecimento foi de 125.275.835 eleitores, com 33.469.244 abstenções. No segundo turno, o total de votos apurados chegou a 128.236.074, com 30.509.005 abstenções.

A comparação mostra uma redução de 2.960.239 nas abstenções e um aumento equivalente no comparecimento.

Gráfico 3 — Abstenções

Primeiro turno   33.469.244
█████████████████████████████████

Segundo turno    30.509.005
██████████████████████████████

A redução das abstenções demonstra que o segundo turno mobilizou mais eleitores. Entretanto, ela não permite afirmar, isoladamente, qual candidato se beneficiou desse movimento.

Para responder a essa pergunta, seria necessário cruzar os dados de comparecimento por município e seção eleitoral com os resultados dos candidatos nas duas etapas. Mesmo assim, esses cruzamentos mostrariam padrões agregados, não a escolha individual de cada eleitor.

Afinal, a urna eletrônica preserva o sigilo do voto. Não existe uma lista pública que identifique em quem cada pessoa votou no primeiro turno e em quem votou no segundo.

Por isso, qualquer afirmação sobre a transferência exata dos votos precisa de evidências adicionais.

Lula cresceu mais do que os votos das candidaturas eliminadas. Isso comprova alguma irregularidade?

Não.

A diferença de 1.059.947 votos entre o crescimento de Lula e o total das candidaturas eliminadas constitui uma comparação matemática, não uma prova de irregularidade.

Existem várias explicações possíveis para o crescimento de um candidato entre os turnos. Entre elas estão a transferência de votos do adversário, a mobilização de eleitores que não compareceram anteriormente e a redução de votos brancos e nulos.

Além disso, a eleição pode provocar mudanças na participação de diferentes grupos do eleitorado. Um candidato pode conseguir mobilizar eleitores que não o escolheram na primeira etapa, enquanto o adversário enfrenta dificuldades para ampliar sua base.

Consequentemente, o resultado final não precisa reproduzir a distribuição dos votos do primeiro turno.

A análise mais consistente exige comparar os resultados por estado, município e seção eleitoral. Também seria importante examinar pesquisas sobre a intenção de voto anterior e posterior ao primeiro turno, além dos dados de comparecimento.

Essas informações poderiam ajudar a identificar onde Lula avançou mais, onde Flávio perdeu força e quais regiões concentraram as mudanças mais expressivas.

A comparação com 2022: Lula ampliou sua votação

A eleição de 2026 também chama a atenção quando comparada à disputa presidencial de 2022.

Naquele ano, Lula recebeu 60.345.999 votos no segundo turno e venceu Jair Bolsonaro por 2.139.645 votos.

Em 2026, Lula chegou a 64.256.232 votos e terminou com uma vantagem de 4.430.191 sobre Flávio Bolsonaro.

A comparação apresentada fica assim:

O resultado de 2026 mostra que Lula recebeu 3.910.233 votos a mais do que em 2022. Além disso, sua vantagem sobre o adversário mais que dobrou.

Entretanto, a comparação precisa considerar o contexto de cada eleição. Os adversários eram diferentes, as campanhas apresentaram estratégias próprias e o eleitorado não se comportou necessariamente da mesma maneira.

Por isso, o crescimento de Lula não pode ser explicado por um único fator. A análise precisa considerar a conjuntura política, a avaliação do governo, a rejeição dos candidatos, as alianças e a mobilização eleitoral.

Pela primeira vez, o segundo colocado no primeiro turno venceu a eleição?

O resultado de 2026 tem uma característica histórica importante: Lula terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro e, mesmo assim, conquistou a maioria dos votos válidos no segundo.

Isso significa que a liderança na primeira votação não garantiu a vitória final.

O segundo turno funciona justamente como uma nova disputa entre os dois candidatos mais votados. Nesse cenário, os eleitores podem reconsiderar suas escolhas e avaliar as alternativas disponíveis.

A afirmação de que essa foi a primeira vez na história brasileira, porém, exige uma verificação histórica específica. Para sustentá-la de forma definitiva, é necessário comparar todas as eleições presidenciais brasileiras que tiveram segundo turno, desde a adoção desse sistema.

O dado mais importante para compreender 2026 permanece claro: Flávio terminou a primeira etapa na frente, mas Lula reverteu a desvantagem e venceu a disputa final.

A decisão de Cristiano Zanin: o que aconteceu no dia da votação?

Além dos números, a eleição de 2026 ficou marcada por uma controvérsia institucional.

No domingo, 25 de outubro, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h. A decisão surgiu após pedidos relacionados a dificuldades no transporte público e às condições de deslocamento dos eleitores.

A medida provocou questionamentos porque o horário original de encerramento era 17h e a decisão chegou quando diversas seções já haviam encerrado a votação.

Posteriormente, Zanin esclareceu que a extensão deveria alcançar as seções que ainda não haviam fechado as urnas. O ministro também orientou que os votos das seções já encerradas fossem computados normalmente.

A situação levantou dúvidas sobre a uniformidade da aplicação da regra e a comunicação entre as instituições responsáveis pela eleição.

O ponto mais sensível diz respeito à igualdade de condições entre os eleitores. Afinal, quando uma decisão altera o horário de votação no próprio dia da eleição, as autoridades precisam garantir que todos compreendam as regras e que a mudança não prejudique o processo.

Por outro lado, dificuldades concretas de transporte também podem impedir que eleitores exerçam seu direito ao voto. Portanto, a avaliação jurídica precisa considerar tanto o acesso às urnas quanto a segurança e a previsibilidade das regras eleitorais.

Zanin deveria ter se declarado suspeito?

A questão exige cautela.

Cristiano Zanin atuou anteriormente como advogado de Lula. Essa relação profissional anterior, por si só, não comprova parcialidade em uma decisão judicial.

Para avaliar eventual suspeição, seria necessário examinar as regras processuais aplicáveis, a natureza da ação, os fatos apresentados e as circunstâncias específicas do caso.

Também é importante distinguir suspeição de impedimento. Os dois institutos possuem fundamentos jurídicos próprios e não podem ser tratados como sinônimos.

A análise deve responder a perguntas objetivas: havia alguma hipótese legal que impedisse Zanin de atuar? Existia uma circunstância concreta capaz de comprometer sua imparcialidade? A decisão respeitou as regras de competência e os procedimentos aplicáveis?

Sem a análise integral dos autos e das normas pertinentes, não é possível concluir que o ministro tinha obrigação legal de se declarar suspeito.

Da mesma forma, a relação profissional anterior não elimina a necessidade de examinar a decisão e seus fundamentos.

Houve interferência indevida no TSE?

A controvérsia também envolve a relação entre o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral.

Zanin integra o STF, não o TSE. Entretanto, essa diferença institucional não significa, automaticamente, que um ministro do Supremo jamais possa proferir uma decisão com efeitos sobre uma eleição.

A questão jurídica depende da competência exercida, do tipo de ação apresentado e dos fundamentos legais da decisão.

As reportagens sobre o episódio indicam que a medida surgiu em uma reclamação apresentada ao STF depois de pedidos relacionados à extensão do horário de votação. A decisão determinou que o TSE desse cumprimento à ordem.

Para avaliar se houve invasão de competência, seria necessário examinar o processo completo, incluindo os pedidos das partes, a fundamentação jurídica e as decisões anteriores do TSE.

Também seria importante esclarecer como a ordem chegou às zonas eleitorais e quais orientações cada tribunal transmitiu aos responsáveis pelas seções.

A existência de uma decisão judicial controversa não comprova, por si só, que houve violação institucional. Entretanto, decisões com impacto direto sobre a votação exigem fundamentação clara, comunicação eficiente e transparência.

A prorrogação do horário pode ter alterado o resultado?

Essa é uma das perguntas mais delicadas da eleição.

A votação até as 19h ocorreu em meio a questionamentos sobre dificuldades no transporte público e provocou críticas de integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro.

No entanto, para afirmar que a prorrogação alterou o resultado, seria necessário demonstrar quantos eleitores votaram exclusivamente por causa da extensão, em quais localidades isso ocorreu e como esses votos influenciaram a diferença final.

O simples fato de Lula ter vencido não permite concluir que a medida o beneficiou eleitoralmente. Da mesma forma, a existência de dificuldades de transporte não demonstra automaticamente que a extensão foi necessária em todo o território nacional.

Uma investigação consistente precisaria examinar registros de horário, relatórios das zonas eleitorais, comunicações oficiais, ocorrências de transporte e dados de comparecimento.

Além disso, seria necessário comparar as localidades afetadas com outras regiões, levando em conta as diferenças de participação e de votação.

Sem essas informações, qualquer estimativa sobre o efeito da prorrogação seria especulativa.

Flávio Bolsonaro questiona o resultado e fala em pedir anulação

Depois da derrota, Flávio Bolsonaro declarou que não reconheceria o resultado e anunciou que recorreria à Justiça para pedir a anulação da eleição.

O candidato também questionou a prorrogação do horário de votação e alegou que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre antes do encerramento da apuração. As declarações foram divulgadas pela imprensa após o resultado.

Essas afirmações precisam ser examinadas separadamente.

Primeiro, uma candidatura pode contestar judicialmente atos que considere irregulares. Entretanto, a apresentação de um pedido não significa que a Justiça reconhecerá a existência de uma ilegalidade.

Segundo, a alegação sobre a sala-cofre exige esclarecimentos documentais. É necessário identificar quais fiscais estavam presentes, qual era a autorização de acesso, em que momento ocorreu a retirada e quais procedimentos de fiscalização continuaram disponíveis.

Terceiro, qualquer pedido de anulação precisa apresentar fundamentos jurídicos e elementos de prova capazes de demonstrar a irregularidade alegada e sua relevância para o resultado.

Portanto, até que as acusações sejam examinadas pelas autoridades competentes, elas devem ser tratadas como alegações da campanha derrotada, e não como fatos comprovados.

Todas as pesquisas erraram? O que os levantamentos indicavam?

As pesquisas eleitorais também entraram no centro do debate.

Antes do segundo turno, diferentes institutos apresentaram cenários distintos. Levantamentos divulgados em outubro chegaram a indicar vantagem de Flávio Bolsonaro, enquanto outros apontaram uma disputa mais equilibrada ou uma pequena vantagem de Lula.

O resultado final, com Lula à frente por 3,58 pontos percentuais, mostra que a eleição terminou em um cenário diferente daquele sugerido por parte das pesquisas.

Entretanto, afirmar que todas as pesquisas erraram exige uma comparação sistemática entre os levantamentos e o resultado oficial.

É necessário verificar a data de cada pesquisa, o período de entrevistas, a margem de erro, a metodologia, o tratamento dos indecisos e a estimativa de votos válidos.

Uma pesquisa também representa o comportamento do eleitorado no período em que as entrevistas ocorreram. Ela não funciona como uma previsão infalível do resultado futuro.

Ainda assim, quando vários levantamentos apresentam diferenças relevantes em relação às urnas, os institutos precisam avaliar possíveis limitações de amostragem, dificuldades para representar determinados grupos, mudanças tardias de intenção de voto e problemas na estimativa de comparecimento.

O crescimento de Lula no segundo turno, portanto, merece uma investigação estatística. Mas essa análise deve partir dos resultados efetivos e dos relatórios metodológicos, não apenas da impressão de que um candidato cresceu mais do que o esperado.

O que precisamos descobrir para compreender a eleição de 2026?

A comparação nacional oferece um ponto de partida, mas não responde a todas as perguntas.

Para compreender a mudança de 2026, cinco análises seriam especialmente importantes:

1. Comparação por estado: identificar em quais unidades da Federação Lula ampliou mais sua votação e onde Flávio apresentou maior crescimento.

2. Comparação por município: verificar se o crescimento de Lula se concentrou em grandes centros urbanos, municípios menores ou regiões com maior aumento do comparecimento.

3. Análise das abstenções: identificar onde a participação eleitoral aumentou e comparar esse movimento com a variação dos votos válidos.

4. Avaliação da prorrogação: examinar os registros das localidades em que a votação continuou após as 17h e verificar quantos eleitores efetivamente participaram durante o período adicional.

5. Auditoria das alegações: analisar documentos, atas, registros de fiscalização e eventuais decisões judiciais relacionadas às denúncias apresentadas pela campanha de Flávio.

Essas medidas ajudariam a distinguir mudanças normais no comportamento eleitoral de eventuais problemas operacionais ou jurídicos.

Além disso, uma análise por seção eleitoral permitiria identificar padrões que a média nacional esconde. Ainda assim, os dados agregados não revelariam o voto individual de cada eleitor.

Conclusão: os números levantam perguntas, mas a resposta depende das evidências

A eleição presidencial de 2026 terminou com uma mudança expressiva entre os turnos. Lula saiu de 53.879.538 votos no primeiro para 64.256.232 no segundo, enquanto Flávio Bolsonaro passou de 56.104.503 para 59.826.041.

O crescimento de Lula chegou a 10.376.694 votos. Já o adversário acrescentou 3.721.538 à sua votação inicial.

A diferença entre os crescimentos chama a atenção, mas não comprova irregularidade. Parte da explicação pode envolver a transferência de votos, o retorno de eleitores que não compareceram no primeiro turno e mudanças nas escolhas entre votos válidos, brancos e nulos.

A discrepância de 1.821.246 votos também possui uma explicação matemática: ela corresponde à diferença entre o aumento dos votos válidos e o aumento líquido do comparecimento. Portanto, não representa, por si só, um conjunto de votos sem origem identificada.

Ao mesmo tempo, a decisão que prorrogou a votação até as 19h merece uma avaliação jurídica e operacional cuidadosa. As acusações sobre fiscalização e a intenção de pedir a anulação também exigem análise documental, sem antecipar conclusões.

O resultado final, portanto, coloca três desafios distintos. O primeiro é compreender a mudança no comportamento eleitoral. O segundo é esclarecer os questionamentos institucionais. O terceiro é avaliar as alegações apresentadas pelas campanhas com base em provas verificáveis.

A pergunta mais importante não é apenas como Lula conseguiu crescer tanto. É quais dados permitem explicar esse crescimento de maneira transparente, reproduzível e independente. Essa é a diferença entre levantar uma suspeita e demonstrar um fato.

MARCADO:AnáliseBalançoEleições 2026Urna Eletrônica
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