A mulher acusada de atropelar e matar o menino indígena Enzo Gabriel Oliveira dos Santos, de 4 anos, foi condenada novamente nesta quarta-feira (4), em Camacan, no sul da Bahia. Tehiana Gomes de Freitas Pataxó recebeu pena de 11 anos de prisão em regime fechado.
Após a leitura da sentença, a condenada seguiu diretamente para o Conjunto Penal de Itabuna, onde deverá cumprir a pena. Até a última atualização das informações, não havia confirmação sobre um eventual recurso da defesa.
Primeiro julgamento terminou com sentença anulada
O caso já havia passado pelo Tribunal do Júri em 2024. Na ocasião, Tehiana recebeu uma condenação de 13 anos de prisão e permaneceu sob custódia por cerca de 30 dias.
Entretanto, a Justiça anulou o julgamento após identificar um erro material na sentença. Com isso, a acusada deixou a prisão e passou a responder ao processo em liberdade até a realização de um novo júri.
Agora, dois anos depois da primeira condenação, os jurados voltaram a analisar o caso e decidiram pela condenação da mulher. A nova pena, porém, ficou em 11 anos de reclusão.
Criança morreu na calçada de casa
O atropelamento aconteceu em 2021, na cidade de Pau Brasil. Enzo Gabriel estava ao lado da mãe, na calçada da residência onde morava com a família, quando a caminhonete atingiu os dois. O menino não resistiu.
Segundo as informações divulgadas pela polícia na época, Tehiana tinha 18 anos e não possuía carteira de habilitação. Ela conduzia o veículo, que pertencia ao então namorado, Renato Santos Rocha.
Ainda conforme a investigação, os dois haviam ingerido bebidas alcoólicas em um bar na zona rural do município. Depois disso, Renato, que estava no banco do passageiro, teria entregado a direção da caminhonete à jovem.
Namorado também foi condenado no primeiro júri
Renato também respondeu pelo caso. No mesmo julgamento realizado em 2024, ele recebeu pena de dois anos de detenção, além de dois anos e oito meses de suspensão do direito de dirigir.
No entanto, a anulação daquele júri também atingiu a decisão relacionada a ele. Até a divulgação das informações mais recentes, não havia confirmação sobre a realização de um novo julgamento do homem.
Família cobra justiça e relembra a dor da perda
Durante o novo julgamento, familiares de Enzo Gabriel acompanharam a sessão e falaram sobre o sofrimento provocado pela morte da criança e pela anulação da primeira condenação.
O pai do menino, Gilnei Oliveira dos Santos, afirmou que a perda continua marcando a família. Já a irmã da vítima, Jenifer Sousa, relatou a tristeza que sentiu quando soube que a acusada havia sido solta após o primeiro júri.
A mãe de Enzo preferiu não conceder entrevista. Antes do início da sessão, ela passou mal e precisou receber atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
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A nova condenação representa mais um capítulo de um caso que mobilizou a comunidade e a família da criança desde 2021.


