Uma criança de apenas cinco anos, uma ponte e um crime que chocou o Brasil. Na próxima quarta-feira, dia 4 de novembro, Tiago Ricardo Felber vai sentar no banco dos réus pelo assassinato do próprio filho, Théo Ricardo Ferreira Felber. O julgamento começa às 9h, em São Gabriel, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul.
O caso aconteceu em março de 2025 e ganhou repercussão nacional pela brutalidade e pela motivação apontada pela investigação: vingança contra a ex-companheira, mãe do menino.
Relembre o que aconteceu
Théo morava com a mãe, em Nova Hartz, no Vale do Sinos, mas passava alguns dias com o pai. Em março do ano passado, Tiago buscou o filho para passar um período com ele, inclusive durante as comemorações de seu aniversário de 40 anos.
Entretanto, segundo a investigação, a convivência terminou de forma trágica. Na noite anterior ao crime, o pai tentou matar a criança por asfixia, mas não conseguiu.
Já na tarde de 25 de março, Tiago levou o menino de bicicleta até uma ponte sobre o Rio Vacacaí, em São Gabriel. No local, ele arremessou o próprio filho de uma altura de aproximadamente 15 metros.
O rio estava com o nível baixo. Por isso, em vez de cair na água, Théo atingiu pedras. O laudo pericial apontou traumatismo cranioencefálico provocado pela queda como causa da morte.
Confissão e mensagem à mãe
Após o crime, Tiago se apresentou às autoridades e confessou ter matado o filho. Além disso, segundo os relatos divulgados durante a investigação, ele enviou um áudio à ex-companheira para comunicar o que havia feito.
A investigação aponta que o homem queria atingir emocionalmente a mãe da criança após o fim do relacionamento. O casal havia se separado em novembro de 2024.
Por causa da gravidade do caso, a Justiça decretou a prisão preventiva de Tiago, que permanece preso desde março de 2025.
Quais crimes serão julgados?
Agora, o réu responderá por homicídio qualificado consumado, pela morte de Théo; tentativa de homicídio qualificado, pela tentativa de asfixia na véspera; e ameaça contra a ex-companheira.
O julgamento deve reunir depoimentos da mãe da criança e de testemunhas, além do interrogatório do acusado. A previsão é que a sessão termine no mesmo dia, embora possa avançar pela madrugada.
O caso também ganhou repercussão para além do processo criminal. A morte de Théo esteve entre os casos que impulsionaram o debate sobre a violência vicária, quando alguém ataca filhos ou outras pessoas próximas para causar sofrimento a uma mulher. Em abril de 2026, o Brasil sancionou uma lei que criou o crime de vicaricídio.
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Agora, caberá aos jurados analisar as provas e decidir sobre a responsabilidade criminal de Tiago. A sessão de quarta-feira representa uma etapa decisiva na busca por justiça pela morte de Théo.


