Uma operação da Polícia Federal atingiu figuras importantes da política e da segurança pública do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (15). Entre os presos estão Marcus Vinícius Amim Fernandes, ex-chefe da Polícia Civil fluminense, e Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito.
Além deles, a PF prendeu outros quatro policiais civis durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro na Região Metropolitana do Rio.
O caso chama a atenção pelo volume financeiro investigado. Segundo a Polícia Federal, o grupo movimentou mais de R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos, conforme um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Operação mira rede com 96 postos de combustíveis
Nesta quinta-feira, os agentes cumpriram seis mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão.
As equipes realizaram diligências em sete municípios: Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
Além das prisões, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores dos investigados. Também ordenou a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas ao grupo, incluindo 96 postos de combustíveis.
Segundo a PF, a organização usaria essas empresas para ocultar e dar aparência legal a recursos de origem criminosa. Por isso, os investigadores buscam identificar a participação de cada suspeito e rastrear o caminho do dinheiro.
Ex-chefe da Polícia Civil entrou na mira da PF
Marcus Vinícius Amim Fernandes comandou a Polícia Civil do Rio de Janeiro entre outubro de 2023 e setembro de 2024. Antes disso, ele também presidiu o Detran-RJ.
Sua trajetória no alto escalão da segurança pública agora integra o contexto da investigação sobre possíveis conexões entre agentes públicos, interesses políticos e a organização criminosa.
Já Márcio Canella foi prefeito de Belford Roxo e conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nas eleições deste ano. Ele também aparece entre os alvos da operação.
Entretanto, as prisões não representam condenações. A investigação ainda precisa esclarecer a conduta atribuída a cada um dos envolvidos e reunir provas que sustentem as acusações.
Investigação apura corrupção e organização criminosa
A PF apura possíveis crimes de organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.
Além disso, a operação conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil, que acompanhou o cumprimento dos mandados contra os policiais investigados.
A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa voltada ao enfrentamento de organizações criminosas que atuam no Rio de Janeiro.
Agora, os investigadores devem aprofundar a análise dos documentos, valores e demais materiais recolhidos durante as buscas. O objetivo é esclarecer como funcionava a estrutura financeira e qual teria sido o papel de cada investigado.
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O caso segue em apuração, enquanto a Justiça conduz os procedimentos relacionados às prisões e às medidas patrimoniais.



