A prefeita de Cansanção, no norte da Bahia, Vilma Rosa de Oliveira Gomes (MDB), voltou ao centro de questionamentos após nomear a própria filha, Pollyanna Oliveira Gomes, para o cargo de chefe de gabinete da administração municipal. A nomeação foi publicada no Diário Oficial do Município na sexta-feira (16).
O caso chama a atenção porque a prefeita e a filha foram condenadas pela Justiça Federal, em agosto de 2024, por lavagem de dinheiro em um processo relacionado a um esquema que teria movimentado mais de R$ 26,5 milhões entre 2011 e 2014.
A sentença também condenou o ex-prefeito Ranulfo da Silva Gomes, marido de Vilma e pai de Pollyanna. No entanto, o processo foi encaminhado ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) em abril de 2025 para análise de recursos. Não há informação confirmada sobre o resultado desses recursos no material divulgado.
Filha assume cargo de chefe de gabinete
Segundo o ato oficial, Pollyanna foi nomeada pela própria mãe para chefiar o gabinete da Prefeitura de Cansanção. O documento não apresenta detalhes sobre a formação profissional da nomeada, a remuneração prevista ou os critérios adotados para a escolha.
A nomeação também levanta questionamentos sobre o possível enquadramento nas regras que combatem o nepotismo na administração pública.
No Brasil, a nomeação de parentes para cargos públicos deve observar os princípios constitucionais da moralidade e da impessoalidade, além das regras aplicáveis a cada função. Entretanto, a nomeação de um familiar não configura automaticamente irregularidade em todas as situações, sendo necessário avaliar as características do cargo e as circunstâncias do ato.
A Prefeitura de Cansanção foi procurada para esclarecer os critérios utilizados na escolha de Pollyanna, mas não havia apresentado resposta até a publicação da reportagem original.
Prefeita, filha e ex-prefeito foram condenados
Em agosto de 2024, a Justiça Federal condenou Vilma Rosa e Pollyanna Gomes a sete anos, um mês e 15 dias de prisão, cada uma, pelo crime de lavagem de dinheiro.
Já Ranulfo Gomes recebeu pena de nove anos, dez meses e três dias de prisão.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os três participaram de um esquema de ocultação de recursos públicos desviados durante a gestão de Ranulfo na Prefeitura de Cansanção, entre 2011 e 2014. As investigações apontaram movimentações superiores a R$ 26,5 milhões.
Naquele período, Vilma ocupava o cargo de secretária municipal de Saúde, enquanto Pollyanna administrava a empresa Taveira Comercial de Combustíveis, uma das empresas investigadas.
Operação investigou contratos e movimentações financeiras
As apurações fizeram parte da Operação Making Of, deflagrada em novembro de 2015 para investigar suspeitas de fraudes em contratos firmados entre a prefeitura e empresas ligadas ao então gestor e a familiares.
De acordo com as investigações, contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas teriam sido utilizadas para movimentar recursos e dificultar a identificação da origem do dinheiro.
O processo também apontou possíveis irregularidades em licitações municipais, incluindo restrições à participação de empresas concorrentes e falta de competitividade.
Na sentença, o juiz federal Fábio Moreira Ramiro concluiu que as movimentações financeiras entre empresas ligadas à família tinham como objetivo ocultar a origem ilícita dos recursos. A decisão foi proferida pela 2ª Vara Federal Criminal de Salvador.
Processo aguarda esclarecimento sobre recursos
Após a condenação, o processo foi encaminhado ao TRF-1 em 28 de abril de 2025 para análise dos recursos apresentados contra a sentença.
A Justiça Federal não informou se os recursos já foram julgados nem se houve alteração nas condenações. Portanto, não é possível afirmar, com base nas informações disponíveis, qual é a situação judicial definitiva dos envolvidos.
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O caso reúne dois temas de interesse público: a nomeação de uma familiar para um cargo de confiança na administração municipal e o histórico de uma condenação criminal que ainda dependia de esclarecimentos sobre a tramitação dos recursos.


