O tráfico de drogas ganhou uma espécie de “serviço de entrega” em Salvador — e a polícia diz ter interrompido mais uma operação desse tipo na capital baiana.
Na madrugada desta sexta-feira (2), policiais da Rondesp Atlântico prenderam um homem suspeito de comercializar drogas por meio de entregas na região do Alto de Ondina. Com ele, foram apreendidas porções de haxixe e maconha, além de outros materiais.
Segundo as informações policiais, o suspeito teria confessado que utilizava o WhatsApp para receber os pedidos dos clientes e, depois, fazia as entregas diretamente nos endereços combinados.
Ainda conforme o relato apresentado aos policiais, entre os locais atendidos estavam bairros conhecidos por concentrar áreas residenciais e comerciais de alto padrão, como Barra, Ondina, Vitória e Graça.
Abordagem levantou suspeita
Os militares realizavam patrulhamento de rotina quando decidiram abordar um motociclista que circulava pela região.
Durante a revista, os policiais encontraram as substâncias entorpecentes.
A partir da abordagem, segundo a polícia, surgiram informações sobre o funcionamento do esquema de distribuição. O motociclista seria responsável por transportar as drogas até os clientes depois que os pedidos eram feitos por meio do aplicativo de mensagens.
O suspeito e todo o material apreendido foram encaminhados para a Central de Flagrantes da Polícia Civil, onde foram adotadas as medidas cabíveis.
A quantidade exata das drogas apreendidas não foi informada.
Tráfico por delivery já está no radar da polícia
A ocorrência chama atenção porque não seria um caso isolado.
Nos últimos meses, investigações policiais identificaram diferentes grupos utilizando celulares, redes sociais e aplicativos de mensagens para negociar e distribuir drogas em Salvador e outras cidades baianas.
Em junho de 2025, por exemplo, a Operação Purple Drink, da Polícia Civil, investigou um grupo suspeito de realizar delivery de drogas para bairros nobres da capital.
Segundo as investigações divulgadas na época, o esquema tinha como público-alvo jovens e adolescentes e envolvia a comercialização de drogas como haxixe e “ice”.
Já em setembro deste ano, um homem de 36 anos foi preso em Piatã, suspeito de atuar na venda e entrega de entorpecentes por encomenda na região do Nordeste de Amaralina. A Polícia Civil apreendeu uma motocicleta e dois celulares durante a ação.
Ainda em agosto, a Operação Rota das Flores investigou um esquema de tráfico que utilizava encomendas para transportar drogas entre Bahia e Goiás.
Em Salvador, foram cumpridas diligências nos bairros da Curuzu, Cabula e Arenoso, com apreensão de arma, celulares e aproximadamente R$ 57 mil em espécie.
Um “delivery” que esconde um comércio ilegal
Para a polícia, o uso de aplicativos e motocicletas pode facilitar a distribuição dos entorpecentes e dificultar a identificação dos responsáveis pelo comércio ilegal.
Em vez de o comprador se deslocar até um ponto de venda, o produto é levado até o endereço combinado.
É justamente esse modelo que vem chamando a atenção das forças de segurança.
A prisão realizada no Alto de Ondina agora deverá ser analisada dentro desse contexto. A investigação poderá apontar se o suspeito atuava sozinho ou se fazia parte de uma estrutura maior de distribuição de drogas.
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O caso segue sob responsabilidade da Polícia Civil.



