Mais de um ano depois do atropelamento que mudou para sempre a vida do maratonista Emerson Silva Pinheiro, o homem acusado de provocar o acidente falou pela primeira vez durante uma audiência de instrução realizada nesta quarta-feira, dia 9 de setembro, em Salvador.
Cleydson Cardoso Costa Filho, acusado de tentativa de homicídio doloso, foi ouvido pela Justiça e negou uma das principais acusações que cercam o caso: a de que estaria embriagado quando atingiu o atleta.
Diante do juiz, Cleydson afirmou que havia saído com amigos, mas disse que não consumiu bebida alcoólica e que teria tomado apenas suco.
O depoimento aconteceu em meio a uma sessão marcada por tensão.
Segundo as informações da audiência, Cleydson não respondeu às perguntas feitas pelo advogado de acusação, Rogério Mattos. Já ao juiz, apresentou sua versão sobre os acontecimentos.
A postura do empresário também chamou atenção antes mesmo do início da audiência.
Na chegada ao fórum, Cleydson foi abordado pela imprensa, mas preferiu permanecer em silêncio.
O advogado de defesa, João Daniel Jacobina, acompanhou o cliente e afirmou que ele estaria sendo constrangido pela imprensa.
UMA NOITE QUE TERMINOU EM TRAGÉDIA
O caso aconteceu em 16 de agosto de 2025, na Avenida Octávio Mangabeira, na região da Pituba, em Salvador.
Emerson Silva Pinheiro, que treinava para provas de corrida, foi atingido pelo veículo conduzido por Cleydson. O impacto provocou ferimentos gravíssimos e levou à amputação da perna direita do atleta.
O Ministério Público da Bahia denunciou Cleydson por tentativa de homicídio doloso, e a Justiça recebeu a denúncia.
Desde o início da investigação, testemunhas relataram que o motorista apresentava sinais de embriaguez. Essa versão, porém, é contestada pela defesa e foi negada pelo próprio acusado nesta quarta-feira.
A Justiça também já decidiu anteriormente pela manutenção da liberdade de Cleydson, mediante medidas cautelares. Entre elas estão o uso de tornozeleira eletrônica e a suspensão do direito de dirigir.
AGORA, O PROCESSO AVANÇA
O depoimento desta quarta-feira passa a integrar uma etapa importante do processo.
De um lado, a acusação sustenta que a conduta de Cleydson deve ser analisada como tentativa de homicídio. Do outro, a defesa trabalha para apresentar a versão do acusado e contestar pontos da acusação.
Enquanto o processo avança, Emerson continua enfrentando as consequências daquele atropelamento.
Um ano depois, a pergunta que permanece é: o que realmente aconteceu naquela noite na orla de Salvador?
A resposta será construída ao longo do processo, com depoimentos, provas e perícias.
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E agora, pela primeira vez, a Justiça ouviu diretamente a versão do homem acusado de provocar o atropelamento que mudou a vida de um atleta para sempre.


